
WASHINGTON, D.C. Durante as Reuniões Anuais de 2025 do FMI e do Banco Mundial, o Escritório do Diretor Executivo para o Brasil no Banco Mundial (EDS15), em parceria com a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, realizou uma mesa-redonda de alto nível para abordar os desafios críticos de financiamento no combate à fome e à pobreza1O evento, intitulado “Mudando de Marcha: Financiamento Acelerado para a Redução da Fome e da Pobreza” , reuniu representantes de ministérios da Fazenda, líderes de Bancos Multilaterais de Desenvolvimento (BMDs) e os Diretores Executivos do Banco Mundial para a Tanzânia (EDS25) e Nigéria (EDS14), além de alguns Diretores de País, para uma discussão franca e a portas fechadas sobre a ampliação dos sistemas de proteção social.
O evento foi aberto por Marcos Vinicius Chiliatto, Diretor Executivo do Banco Mundial para o Brasil, que deu as boas-vindas aos participantes e destacou a importância de parcerias como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que já conta com 204 membros, incluindo 14 organizações financeiras internacionais, no avanço da luta contra a fome e a pobreza — especialmente em um cenário global complexo, marcado por altas taxas de juros e restrições financeiras crescentes. Ele enquadrou o debate como um esforço coletivo para garantir que as políticas de proteção social gerem altos retornos econômicos para as sociedades.
A Embaixadora Tatiana Rosito, Vice-Ministra da Fazenda do Brasil, ressaltou os investimentos pioneiros do país em proteção social como catalisadores para a missão da Aliança Global. Mamta Murthi, Vice-Presidente de Pessoas do Banco Mundial, reforçou a urgência do tema, observando que “neste momento de mudanças e estresse fiscal, o trabalho da Aliança Global, nascida no G20, enfatiza os objetivos fundamentais de combate à pobreza e à fome – e como esses investimentos estão ligados à criação de empregos e oportunidades”.
Liderança Nacional à Frente do Debate sobre Financiamento
Um tema central da mesa-redonda foi o desafio de mobilizar recursos domésticos diante de significativas restrições fiscais — e como fundos concessionais podem apoiar os países na construção de sistemas e capacidades para alcançar as metas dos ODS 1 e 2. Representantes do Haiti, Ruanda, Somália, Serra Leoa e Bangladesh compartilharam experiências diretas ao navegar por esse cenário complexo. Muitos destacaram reformas fiscais em andamento e esforços dedicados para proteger e “blindar” recursos orçamentários destinados à proteção social, especialmente para sistemas adaptativos capazes de responder a choques climáticos. Haiti, Ruanda, Somália, Serra Leoa e Bangladesh compartilharam experiências de primeira mão na navegação desse cenário complexo. Muitos destacaram as reformas fiscais em andamento e os esforços dedicados para proteger e “delimitar” os recursos orçamentários para a proteção social, especialmente para sistemas adaptativos que possam responder a choques climáticos.
A discussão reforçou que a apropriação nacional é a base para mudanças sustentáveis. Intervenções de destaque vieram do Haiti, Ruanda e Somália, que demonstraram profundo engajamento com suas estratégias nacionais para ampliar os sistemas de proteção social:
- O Ministro da Economia e Finanças do Haiti, Alfred Metellus, detalhou o plano de implementação Fast Track do país. Ele explicou que o plano, apoiado pela Aliança Global com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do Banco Mundial e do Brasil, foi concebido não apenas como uma rede de segurança, mas também como um mecanismo para estimular a economia local por meio da criação de empregos e do apoio a pequenas e médias empresas (PMEs).
- O chefe do Departamento de Finanças para o Desenvolvimento do Ministério das Finanças e Planejamento Econômico da Ruanda, Gerald Cyubahiro, destacou o Programa Vision Umurenge (VUP) como um exemplo de modelo de graduação liderado pelo governo, baseado em proteção social, capaz de empoderar cidadãos e comprometido com uma alocação doméstica significativa de recursos para seu plano Fast Track.
- Em uma intervenção poderosa, Dra. Hodan Osman, Presidente do Banco de Desenvolvimento da Somáliaenfatizou a importância de o Estado estar no “assento do motorista” de sua agenda de proteção social. Ela falou sobre a necessidade de garantir a sustentabilidade financeira do programa nacional Baxnaano e detalhou os planos do governo para aumentar gradualmente as alocações orçamentárias domésticas, explorando também outras fontes de financiamento, como o Zakat em países islâmicos e o financiamento climático. Também destacou a importância da capacidade de mobilização da Aliança Global em um momento crítico de declínio da ajuda oficial ao desenvolvimento (ODA) em todo o mundo.
Um Chamado por Alinhamento Estratégico entre Parceiros Multilaterais
Os ministros enfatizaram o papel vital do financiamento concessional, especialmente por meio da IDA21, não apenas como fonte de recursos, mas como catalisador para construir sistemas de entrega de proteção social mais eficientes e integrados, que promovam a criação de empregos e o crescimento econômico.
Os BMDs responderam com fortes mensagens de apoio. O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) foi reconhecido como parceiro-chave, com a Vice-Presidente Nnenna Nwabufo expressando o interesse do Banco em apoiar os planos de implementação Fast Track de pelo menos quatro países: Zâmbia, Etiópia, Quênia e Benim. Ferdinando Regalia, gerente do Setor Social do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) também reafirmou o compromisso do BID com a missão da Aliança e com o plano de implementação do Haiti.
O evento foi concluído com um poderoso chamado à ação, centrado na ambiciosa meta SP500do Banco Mundial — um compromisso de expandir o apoio à proteção social e ao emprego para alcançar 500 milhões de pessoas até 2030Iffath Sharif, Diretora Global de Proteção Social e Empregos do Banco Mundial, convidou todos os BMDs a se unirem ao Banco Mundial para mobilizar os recursos e o conhecimento necessários para atingir essa meta crucial, aproveitando o impulso político da Aliança para gerar resultados concretos para as pessoas mais vulneráveis do mundo.