Em sua terceira reunião, os líderes da Aliança Global apoiam uma nova abordagem liderada pelos países para programas de proteção social e segurança alimentar em grande escala, ao mesmo tempo em que pedem que a fome e a pobreza voltem a ocupar o centro da agenda global

Paris, França, 11 de maio de 2026 – Em sua terceira reunião, realizada hoje, os líderes da Aliança Global reafirmaram seu compromisso de combater a fome e a pobreza em um momento de crescente incerteza global e prioridades conflitantes.
“Estamos vivenciando um grave paradoxo: enquanto a humanidade enfrenta crises interconectadas – mudanças climáticas, conflitos, dívidas e insegurança alimentar – o mundo está reduzindo justamente os instrumentos criados para respondê-las”, disse Wellington Dias, Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do Brasil em suas declarações iniciais. “Para milhões de famílias, essa fragmentação não é um conceito abstrato: significa alimentos mais caros, serviços interrompidos e um futuro incerto”, acrescentou.
Sedimentado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico em conjunto com sua Conferência sobre o Futuro da Cooperação para o Desenvolvimento, um tema importante na reunião foi a necessidade de colocar as prioridades dos países na vanguarda do apoio ao desenvolvimento, particularmente nas áreas de proteção social e investimento agrícola.
Os líderes endossaram uma transição para uma abordagem totalmente liderada pelo país para mobilizar apoio a programas e planos de grande escala para reposicionar a fome e a pobreza mais alto na agenda global, inclusive nas próximas discussões no G7 e na Assembleia Geral das Nações Unidas. Eles também discutiram novas propostas para destinar e integrar financiamento de diferentes fluxos – desenvolvimento, humanitário e financiamento climático – para proteção social e segurança alimentar.




“Estamos em um ponto de inflexão no financiamento do desenvolvimento”, enfatizou Eva Granados, Secretária de Estado para Cooperação Internacional da Espanha. “O que precisamos agora é de mais coerência e compromisso com um financiamento mais estável, previsível e sustentável para os ODS 1 e 2. Precisamos alavancar Alianças como esta para fundir fluxos de financiamento e gerar mais impacto por cada dólar”, enfatizou Eva Granados, Secretária de Estado para Cooperação Internacional da Espanha.
A reunião também marcou importantes marcos de governança para a Aliança. Moçambique foi recebido como novo membro do Conselho de Campeões, enquanto o European Union e o Germany assumiram os cargos de vice-presidentes no Grupo Central da Aliança, sucedendo a Noruega e ao United Kingdom, cuja liderança cessante foi aplaudida.

No palco principal da Conferência, o ministro Dias, o secretário Granados e Renato Domith Godinho, diretor do Mecanismo de Apoio da Aliança Global, apelaram para que se abandonassem os projetos de desenvolvimento isolados.
“Precisamos ir além da retórica sobre coordenação, enquanto nos apegamos aos modelos operacionais que geraram a fragmentação que vemos hoje. Ainda há espaço para melhorar como os parceiros de desenvolvimento se alinham às prioridades dos países e às necessidades de pessoas vulneráveis”, destacou Godinho em um painel de discussão sobre a redefinição de parcerias.
Diante de um cenário global desafiador, a reunião foi concluída com um compromisso renovado e inabalável dos Campeões da Aliança para impulsionar ações coordenadas onde elas mais importam: no nível do país e na escala necessária para acabar com a fome e a pobreza.