Diante de cortes de ajuda, crises globais e iniciativas fragmentadas, o Ministro do Desenvolvimento Social do Brasil defendeu o valor fundamental da cooperação internacional para o desenvolvimento econômico e social.

Paris, França, 12 de maio de 2026 – “Enquanto a humanidade enfrenta crises interconectadas, o mundo está reduzindo os instrumentos criados para respondê-las. Para muitos, isso significa alimentos mais caros, serviços interrompidos e um futuro incerto.” Com essas palavras, o Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, defendeu “o valor fundamental da cooperação internacional” e reforçou a necessidade de uma arquitetura global capaz de conectar financiamento, conhecimento e suporte à implementação em torno de estratégias nacionais.
Os apelos foram feitos nesta segunda-feira (11 de maio) durante um painel na Conferência da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre o Futuro da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, em Paris. O encontro reúne líderes políticos, formuladores de políticas, representantes do setor privado e da sociedade civil para discutir os desafios e as transformações da cooperação internacional em um cenário de mudanças geopolíticas e econômicas. O foco está em estratégias para ampliar o impacto das políticas de desenvolvimento, promover economias inclusivas e fortalecer ações de combate à fome e à pobreza. Dados apresentados no painel mostraram que a instabilidade geopolítica e econômica está convergindo com um declínio histórico na ajuda oficial ao desenvolvimento, que caiu 23,11% entre 2024 e 2025, com projeções de novas reduções. Somadas aos cortes orçamentários em organizações multilaterais, que ameaçam provocar falhas na prestação de serviços, essas forças exacerbam fragilidades pré-existentes e impulsionam o aumento da dívida improdutiva, da pobreza e da desigualdade. Diante dessa realidade, o ministro Wellington Dias enfatizou a necessidade de não mais operar sob as premissas do passado, mas sob uma nova geração, mais prática e orientada pelas prioridades dos países, capaz de produzir resultados concretos em grande escala, com a luta contra a fome no centro desse esforço. “A luta contra a fome e a pobreza deve permanecer no centro desse esforço — não apenas como um imperativo moral, mas porque é uma condição essencial para a estabilidade, a resiliência, a paz e a democracia”, afirmou.
Em seu discurso, ele lembrou que, diante desse cenário, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada durante a presidência brasileira do G20, torna-se ainda “mais necessária”. “O mundo já possui conhecimento, experiências comprovadas, instituições e capacidade técnica. O que muitas vezes falta é coordenação e priorização política. Quando nossos líderes lançaram a Aliança em novembro de 2024, o mundo era uma coisa. Agora é outra. A Aliança é ainda mais necessária. Precisamos fazer melhor uso dos recursos disponíveis e, para isso, precisamos da vontade política de fazer as coisas de maneira diferente”, afirmou.
Finalmente, defendeu a necessidade de uma arquitetura global, com esforços integrados em vez de iniciativas fragmentadas, e a implementação de ações em torno de estratégias nacionais. “A transformação ocorre quando a proteção social, a segurança alimentar, o crédito, a educação e a geração de renda são articulados de forma integrada — e quando a resiliência climática, a resposta a crises e a proteção social avançam juntas por meio de sistemas nacionais, como reconhecido pela Declaração de Belém na COP30”, relembrou. “Em um mundo instável, construir resiliência para os mais vulneráveis é a melhor estratégia. Um mundo com menos fome e menos pobreza será um mundo mais estável, mais pacífico e mais próspero para todos”, concluiu.
3ª Reunião do Conselho de Campeões da Global Alliance
Na qualidade de copresidente da Aliança Global, Wellington Dias também esteve presente nesta segunda-feira na 3ª Reunião do Conselho de Campeões da organização. A reunião tem como objetivo avaliar os avanços alcançados e discutir formas de manter o ímpeto na luta contra a fome e a pobreza em um contexto geopolítico desafiador. A reunião visa responder às mudanças no panorama da ajuda internacional destinada a combater a fome e a pobreza.
A sessão permite que os Campeões forneçam direcionamento estratégico em três prioridades críticas: aprimorar a oferta de apoio nacional da Aliança, reposicionar a redução da fome e da pobreza como prioridades políticas em preparação para a Assembleia Geral das Nações Unidas e fortalecer o financiamento integrado para impulsionar o progresso nas Metas de Desenvolvimento Sustentável 1 e 2.
Este artigo foi originalmente publicado por MDS Brazil.