Soluções comprovadas de água atravessam o oceano enquanto Brasil e Quênia iniciam intercâmbio Sul-Sul para avançar ambicioso programa de acesso à água

Nairobi/Brasília, 27 de julho de 2026 – O Brasil lançou oficialmente seu apoio técnico para fortalecer a resiliência climática e a segurança alimentar no Quênia, cumprindo um compromisso assumido no âmbito da Aliança Global Apoio ao Programa de País Processo.
Uma sessão virtual realizada em 15 de julho de 2026 marcou o primeiro passo de um pacote mais amplo de capacitação prometido pelo Brasil, que também inclui apoio ao design de programas, consulta com partes interessadas locais e Monitoramento e Avaliação.
A sessão reuniu representantes do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) do Brasil, da National Drought Management Authority (NDMA) do Quênia, do Centro de Excelência contra a Fome do PMA e parceiros da sociedade civil. Juntos, exploraram como o programa de longa data de Cisternas do Brasil pode informar os esforços do Quênia para expandir o acesso à água em áreas propensas à seca, especialmente para escolas e comunidades vizinhas.
Apresentado por Vitor Leal Santana, Diretor do Departamento de Promoção da Inclusão Produtiva Rural e Acesso à Água, do MDS, o Programa de Cisternas demonstra como tecnologias de baixo custo para captação de água da chuva, combinadas com participação comunitária e apoio institucional, expandiram o acesso à água para mais de 1,3 milhão de famílias rurais e aproximadamente 8.000 escolas em todo o Brasil.
Além de fornecer água potável segura, o programa fortaleceu a segurança alimentar, os meios de subsistência rural, a resiliência climática e a inclusão social, ao mesmo tempo em que adaptou tecnologias a diferentes realidades territoriais, inclusive na Amazônia brasileira.
Melhorando a segurança hídrica para 420.000 quenianos
O programa Maji Plus do Quênia tem como objetivo fornecer água potável e melhorar a resiliência climática por meio de sistemas de captação de água da chuva para escolas e comunidades nas regiões áridas e semiáridas do país. Na sessão, Felix Adoyo, da NMDA, descreveu como o programa pode beneficiar aproximadamente 420 mil pessoas que enfrentam secas frequentes. Ele também destacou a necessidade de apoio técnico e financeiro coordenado por parte dos membros e parceiros da Aliança à medida que a implementação avança.
Os participantes trocaram opiniões sobre modelos de financiamento, arcabouços legais, parcerias com organizações da sociedade civil e a durabilidade de sistemas de captação de água da chuva. Palestrantes no evento enfatizaram que a adaptação bem-sucedida da abordagem brasileira depende não apenas de tecnologia, mas também de governança, propriedade comunitária, compromisso institucional de longo prazo e um modelo de implementação descentralizado nos níveis federal, estadual, municipal e comunitário.
Próxima parada: Missão de campo no Brasil
Com base na troca virtual, homólogos quenianos viajarão em breve ao Brasil para uma missão de intercâmbio técnico, que deverá proporcionar experiência prática no projeto, construção, gestão e manutenção das tecnologias de gestão hídrica do Brasil e sua abordagem de engajamento comunitário.
A próxima missão e a colaboração contínua reforçam a cooperação Sul-Sul como um poderoso impulsionador do desenvolvimento sustentável, bem como o papel mais amplo da Aliança Global na articulação entre a demanda dos países e a expertise e os recursos dos membros.
Fotos: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) Brasil e Arne Hoel / Banco Mundial