Uma inovação internacional concebida pelo Brasil para combater a fome mundial

A Aliança é uma expressão da resiliência da cooperação internacional, uma iniciativa importante porque, em última análise, aqueles que passam fome, independentemente do país em que se encontram, não podem esperar.

A Aliança foi criada em 2024 como uma contribuição originalmente brasileira para o G20, que reúne as vinte maiores economias do mundo. Atualmente, a Aliança conta com 214 membros, incluindo mais de cem países. As ações da Aliança, contudo, acontecem em um contexto internacional complexo. Há uma rejeição ao multilateralismo, conceito utilizado para se referir à ação conjunta de países diversos para lidar com problemas internacionais. Ademais, conflitos internacionais têm levado diversos países a aumentar seus gastos com segurança e defesa. Isso implica, frequentemente, em realocação de recursos e mudanças nas prioridades de cooperação internacional, assim como afeta a geopolítica global.

A Aliança está testando uma nova forma de atuar internacionalmente, por meio de uma estrutura operacional enxuta e ágil. Atuando como intermediária, a Aliança auxilia os países na busca por conhecimento especializado e financiamento para aumentar o número de beneficiários de suas políticas sociais. No ano passado, foram lançados planos para apoiar a adoção de políticas em grande escala para combater a fome e a pobreza em oito países da América Latina, África e Oriente Médio. O plano para a Etiópia, por exemplo, visa aumentar a capacidade de produção dos pequenos agricultores. Para implementar o plano, foi desenvolvido um projeto colaborativo envolvendo o governo etíope e parceiros como o Banco Africano de Desenvolvimento, o Rockefeller Foundation e o United Arab Emirates. O plano do Quênia visa abordar os efeitos das mudanças climáticas e da escassez de água por meio da construção de cisternas em 1.300 escolas. O Quênia pretende aprender com a experiência brasileira nesse setor.

Escrito por Osmany Porto de Oliveira é professor do Departamento de Relações Internacionais e coordenador do Laboratório de Políticas Públicas Internacionais (Laboppi) da Universidade Federal de São Paulo.

Foto: FAO/Edgar Marra