Financiamento conjunto e previsível necessário para ir além de respostas fragmentadas e de curto prazo em direção a sistemas nacionais duradouros e escaláveis

Washington DC, EUA 12 de junho de 2026 – À medida que as tensões geopolíticas, a inflação e os choques climáticos amplificam a insegurança alimentar e os riscos de subsistência para milhões de pessoas, líderes no Fórum de Fragilidade do Banco Mundial esta semana apontaram a necessidade de financiamento mais previsível e estável para a proteção social em ambientes frágeis, afetados por conflitos e violência (FCV).
“Ao criar sistemas de proteção social nesses contextos, precisamos garantir que eles sejam concebidos para funcionar tanto em tempos bons quanto em tempos difíceis. Devemos investir em sistemas nacionais, e não em sistemas paralelos”, enfatizou Haneen Sayed, Ministra dos Assuntos Sociais do Líbano, em uma sessão organizada pelo Ministério das Relações Exteriores, da Commonwealth e do Desenvolvimento (FCDO) do Reino Unido, em colaboração com o g7+, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, a Rede Global contra as Crises Alimentares e o Banco Mundial.
A sessão, Reimagining Financing: Social Protection in FCV Settings, destacou um desafio há muito reconhecido, mas não resolvido: o financiamento de programas de proteção social permanece fragmentado entre orçamentos domésticos, assistência humanitária e financiamento para o desenvolvimento. Em contextos de conflito, violência e instabilidade (FCV), onde tais programas são mais necessários, essas ineficiências enfraquecem seu alcance e capacidade de resposta.
Segundo o Banco Mundial, os países afetados por conflitos, violência e instabilidade abrigavam mais da metade das pessoas em situação de pobreza extrema em 2024. Essa dura realidade revela que, sem uma reavaliação de como o financiamento pode ser melhor convergido em direção a esforços nacionais de proteção social – uma rede de segurança essencial em tempos de crise e a base para o desenvolvimento a longo prazo – o fim da fome e da pobreza permanecerá inatingível.
“Precisamos ter uma visão paciente e de longo prazo – a construção de sistemas nacionais de proteção social leva tempo e financiamento conjunto, alinhado às capacidades dos países”, enfatizou Hind Aboud Kabawat, Ministra de Assuntos Sociais e do Trabalho da Síria. Os oradores ressaltaram que um financiamento doméstico mais forte depende de vontade política, evidências e uma abordagem de “governo como um todo”, enquanto os parceiros de desenvolvimento precisarão apoiar abordagens conjuntas de longo prazo que possam ajudar os sistemas a responder a choques e a se expandir ao longo do tempo.
“Uma mensagem clara que fica hoje é que construir e fortalecer sistemas de proteção social é possível e essencial em contextos frágeis e afetados por conflitos. A tarefa agora é acelerar o ritmo com que isso está ocorrendo”, observou Melinda Bohannon, diretora-geral para Assuntos Global do FCDO, em suas considerações finais.
Para a Aliança Global, o debate reforçou uma prioridade fundamental: articular o financiamento, as políticas e o conhecimento subjacentes às soluções lideradas pelos próprios países é essencial para alcançar progressos duradouros na luta contra a fome e a pobreza. Em contextos voláteis, incluindo países como o Haiti e a Palestina, que atualmente recebendo apoio dos membros da Aliança para programas de proteção social, esse imperativo é mais crítico do que nunca.