Universidades federais brasileiras se unem à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza

UFRGS, UFG e UFSC formalizam adesão e se tornam as primeiras universidades federais a integrar a Aliança 

Foto: André Oliveira / MDS

Em um marco para o combate à fome e à pobreza no Brasil e no mundo, três das principais universidades federais do país – a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – formalizaram adesão à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Estas são as primeiras universidades federais do Brasil a se juntar à inciativa, que já conta com a adesão de outras instituições acadêmicas como a Fundação Getúlio Vargas do Brasil, a Universidade de Buenos Aires (UBA) da Argentina e da Universidade de Oxford por meio da Iniciativa sobre Pobreza e Desenvolvimento Humano (OPHI). 

A participação das universidades federais na Aliança Global se dará no âmbito do pilar de conhecimento, que é um dos três eixos estruturantes da iniciativa. O pilar abrange a oferta de assistência técnica e fortalecimento de capacidades, treinamento por meio do compartilhamento de conhecimento em resposta a solicitações de países membros da Aliança Global. As universidades também se comprometeram a alinhar suas ações, inclusive por meio dos mecanismos de coordenação da Aliança Global, aproveitando parcerias existentes e estabelecendo parcerias com outros atores para melhor apoiar a implementação de políticas e programas em nível nacional. 

No caso do Brasil, a ideia é que as universidades possam auxiliar no Plano Brasil Sem Fome e no Plano de Redução da Pobreza, segundo o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias. 

A reitora da Universidade Federal de Goiás (UFG), Angelita Pereira de Lima, ressaltou o empenho da instituição com o plano brasileiro de combate à fome. “Gostaria de firmar um compromisso que assumimos ao ingressar na Aliança: o de colocar o conhecimento e os quadros da universidade à disposição, articulando-os com as diretrizes do plano brasileiro de combate à fome”, declarou. 

Contribuições 

A UFG tem um histórico de atuação no enfrentamento da fome e da pobreza, com projetos voltados à alimentação escolar, ao fortalecimento da agricultura familiar e ao desenvolvimento de tecnologias para a redução das desigualdades e da insegurança alimentar. 

Já a reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Márcia Cristina Bernardes Barbosa, defendeu um papel central das universidades na análise de políticas públicas. “As universidades precisam se aprofundar no cerne de dados importantes. Assim, podemos olhar para trás e dizer: 'essas políticas geraram esses resultados' ou 'esses jovens do Bolsa Família estão agora em diferentes cenários’”, afirmou. 

A UFRGS traz para a Aliança a expertise de pesquisas em Sociologia do Desenvolvimento Rural e Estudos Agroalimentares. Além disso, a universidade se destaca pelos trabalhos científicos e tecnológicos das Faculdades de Agronomia e Veterinária, voltados para a produção eficiente e sustentável de alimentos. 

“A ideia é estabelecer um grupo de cooperação acadêmica, não só para possibilitar e tentar injetar ânimo nessas iniciativas, unindo universidades e o ministério, mas também para ir além, coordenando os processos do MDS e estabelecer alianças com universidades do mundo inteiro”, explicou o consultor Jurídico do MDS, João Paulo Santos. 

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), representada pelo reitor Irineu Manoel de Souza e pela professora Cristiane Derani, do Departamento de Direito, é considerada referência em pesquisas sobre segurança alimentar, produção sustentável de alimentos, restauração ecológica e conservação ambiental, com foco na proteção da biodiversidade e do clima. A universidade também é pioneira na colaboração com produtores locais, a exemplo do trabalho reconhecido internacionalmente na produção de matrizes de ostras e na transferência de tecnologias para a produção sustentável de alimentos. 

Aliança Global contra a Fome e a Pobreza

A iniciativa visa erradicar a fome e a pobreza até 2030, reduzir as desigualdades e contribuir para parcerias globais revitalizadas para o desenvolvimento sustentável. Prioriza transições inclusivas e justas, garantindo que ninguém seja deixado para trás. 

A Aliança opera por meio de três pilares principais - nacional, financeiro e de conhecimento - projetados para mobilizar e coordenar recursos para políticas baseadas em evidências adaptadas às realidades de cada país-membro. Embora o G20 tenha sido a plataforma de lançamento para a iniciativa, a Aliança funcionará como uma plataforma global independente, com o apoio contínuo e o impulso possível de futuras presidências do G20. 

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