Os parceiros de desenvolvimento apoiam o esforço do governo haitiano para fortalecer sua capacidade de longo prazo de responder à fome, à pobreza e às crises

Cap-Haïtien, Haiti, 31 de agosto de 2026 – Autoridades do Governo do Haiti e membros da Aliança Global se reuniram na semana passada para finalizar os planos de um programa nacional de transferência de renda que reúne várias iniciativas existentes sob um único guarda-chuva, com o objetivo de consolidar o apoio às famílias vulneráveis do país.
O Haiti enfrenta desafios complexos que deixam o país lidando com a fome e a pobreza há décadas. Cerca de 5,8 milhões de haitianos enfrentam insegurança alimentar aguda e até 1,5 milhão de pessoas estão internamente deslocados, somando-se à pobreza e à vulnerabilidade existentes.
“O Governo [haitiano] reafirma sua determinação em fortalecer os mecanismos de proteção social, a coerência da ação pública e em mobilizar os recursos necessários para nossas famílias e comunidades mais vulneráveis”, afirmou Lucny Cadet, coordenador do Ministério da Assistência Social e do Trabalho. O Sr. Cadet também observou que o desafio imediato é estabelecer, no âmbito da Aliança Global, um programa prioritário capaz de atrair financiamento e avançar rapidamente para a implementação, garantindo, ao mesmo tempo, que ele possa ser integrado de forma harmoniosa às instituições e sistemas nacionais de proteção social.
Um workshop de quatro dias, organizado com o apoio do Inter-American Development Bank (IDB), do Banco Mundial e do World Food Programme (WFP), teve como foco fortalecer o plano atual do Haiti e reforçar as articulações com as políticas e programas existentes, notadamente o Política nacional de proteção e de promoção sociais, várias iniciativas de transferência de dinheiro do BID e do PMA e o Banco Mundial.
Essa iniciativa se baseia no envolvimento do Haiti com os membros da Aliança Global, na sequência de um pacote de suporte multi-parceiro anunciado na Primeira Reunião de Líderes da Aliança, em novembro de 2025. O pacote incluía compromissos de apoio financeiro e técnico do Brasil, da Índia, da Inter-American Development Bank (IDB), da Organização Pan-Americana da Saúde, do Fundo das Nações Unidas para a Infância, do Programa Mundial de Alimentos e da World Vision Haiti para ampliar a proteção social no país.
“O Haiti pode construir um sistema de proteção social nacional e sustentável, enraizado em suas instituições e financiado progressivamente pelo próprio Estado haitiano. No Banco Mundial, acreditamos firmemente nisso. E continuaremos a apoiar, com o mesmo rigor, a mesma continuidade e o mesmo respeito pela soberania nacional, em cada etapa desta jornada”, afirmou Anne-Lucie Lefebvre, gerente do Banco Mundial para o Haiti, que atualmente financia o Klere Chimen – um programa de transferência de renda liderado pelo Ministério dos Assuntos Sociais e do Trabalho do Haiti que atinge 120.000 pessoas.
O Ministério dos Assuntos Sociais e do Trabalho do Haiti, com o apoio do Fundo de Assistência Econômica e Social (FAES), está trabalhando para trazer coerência a um panorama de proteção social composto por múltiplas iniciativas e atores que perseguem objetivos semelhantes. Com financiamento do Brasil, do BID e do Banco Mundial decorrente do processo da Aliança, o Governo está mapeando as intervenções em curso para identificar lacunas e sinergias, e convergi-las sob uma visão nacional.

O BID se une a esse esforço aproveitando vários programas de transferência de renda que financiou por meio do FAES, que alcançaram cumulativamente 2 milhões de pessoas, incluindo cerca de 500.000 que recebem apoio hoje, com mais 715.000 esperadas até 2028. O BID traz essa experiência operacional, juntamente com lições de sistemas de proteção social na América Latina e no Caribe, para ajudar a melhorar a oferta de proteção social para os haitianos.
A oficina produziu um novo plano para um programa de transferência de renda para operacionalizar a política nacional do Haiti. Com o apoio dos membros da Aliança, o governo haitiano visa cobrir cinco dos departamentos mais vulneráveis do país, alcançando 100.000 domicílios por meio de um sistema unificado. O plano também descreve como o registro social do Haiti pode ser fortalecido e expandido, uma condição fundamental para a sustentabilidade do programa.
Enquanto choques repetidos testam os sistemas nacionais no Haiti e em outros contextos frágeis, os acontecimentos da semana passada refletem o tipo de coordenação liderada pelo país que pode fortalecer a execução durante crises e sustentar o apoio à medida que as necessidades dos mais vulneráveis evoluem.