Líderes mundiais lançam a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza

A iniciativa, prioridade da presidência brasileira do G20, tem como objetivo acelerar o progresso rumo à erradicação da fome e da pobreza, ao mesmo tempo em que promove os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Foto oficial da Aliança contra a Fome e a Pobreza por Ricardo Stuckert Feito 

Rio de Janeiro, 18 de novembro de 2024 – A Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza foi oficialmente lançada, nesta segunda-feira (18.11), na Cúpula de Líderes do G20, no Rio de Janeiro. Construída ao longo de um ano, a partir de um processo de diálogo e colaboração, a Aliança nasce com 148 membros fundadores, incluindo 82 países, a União Africana, a União Europeia, 24 organizações internacionais, 9 instituições financeiras internacionais e 31 organizações filantrópicas e não governamentais. Essa iniciativa inovadora visa acelerar os esforços globais para erradicar a fome e a pobreza, prioridades centrais nos ODS.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou: "Enquanto houver famílias sem comida na mesa, crianças mendigando nas ruas e jovens sem esperança de um futuro melhor, não haverá paz. Sabemos, pela experiência, que uma série de políticas públicas bem desenhadas, como programas de transferência de renda, como o 'Bolsa Família', e refeições escolares nutritivas para crianças, têm o potencial de acabar com o flagelo da fome e devolver a esperança e dignidade para as pessoas."

Em 2024, os membros do G20, países parceiros e organizações internacionais trabalharam conjuntamente em uma Força-Tarefa dedicada à elaboração da estrutura fundacional da Aliança, que foi endossada por unanimidade durante a Reunião Ministerial do G20, no Rio de Janeiro, em julho. A liderança do Brasil na Força-Tarefa envolveu uma coordenação próxima entre vários ministérios, incluindo o de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Relações Exteriores e Fazenda, além de contribuições do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

"Vivemos hoje um marco histórico. A Aliança que construímos juntos, a partir da visão do presidente Lula, está agora pronta para transformar vidas e construir um futuro livre de fome e pobreza extrema", afirmou o ministro de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias. "Este não é apenas mais um fórum de discussão – é um mecanismo prático para canalizar conhecimento e financiamento de forma eficaz e alcançar aqueles que mais precisam", enfatizou.

 Desde julho, a Aliança está aberta a adesões de membros para além do G20. O Brasil e Bangladesh foram os primeiros a aderir, seguidos por todos os membros do G20, incluindo a União Africana e a União Europeia, assim como vários países de todos os continentes.

Os membros fundadores também incluem grandes organizações internacionais, bancos de desenvolvimento e entidades filantrópicas. Organismos-chave da ONU, como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), UNICEF e o Programa Mundial de Alimentos (WFP), também aderiram, ao lado de instituições financeiras como o Grupo Banco Mundial e bancos de desenvolvimento regionais, incluindo o Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB), o Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB), o Banco Europeu de Investimentos (BEI) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Organizações filantrópicas como a Fundação Rockefeller, a Fundação Bill & Melinda Gates e a Children’s Investment Fund Foundation também fazem parte da iniciativa.

A adesão à Aliança segue aberta e é formalizada por meio de uma Declaração de Compromisso — que vai além de uma declaração simbólica para incorporar uma dedicação genuína à ação. Ela define compromissos gerais e personalizados, alinhados com as prioridades e condições específicas ‘de cada membro. As Declarações de Compromisso são voluntárias e podem ser atualizadas conforme as circunstâncias evoluem. Cada Declaração de Compromisso de um membro é pública e pode ser encontrada no site recém-lançado da Aliança Global. site.

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Antes do lançamento formal desta segunda-feira (18.11), a Aliança Global demonstrou o sucesso de sua abordagem ao motivar e impulsionar ações e compromissos antecipados de grande parte de seus membros em seis áreas prioritárias de sua agenda política, que foram anunciados em um evento especial, durante a Cúpula Social do G20, em 15 de novembro. Esses anúncios, intitulados "Sprints 2030"", representam a maior tentativa coletiva de mudar o rumo e finalmente erradicar a fome e a pobreza extrema por meio de políticas e programas em grande escala e baseados em evidências para elevar as populações mais pobres e vulneráveis do mundo. Entre os anúncios e compromissos estão o objetivo de alcançar 500 milhões de pessoas com programas de transferência de renda em países de baixa e média-baixa renda até 2030, expandir as refeições escolares de alta qualidade para mais 150 milhões de crianças em países com pobreza infantil e fome endêmicas, e arrecadar bilhões em crédito e doações por meio de bancos multilaterais de desenvolvimento para implementar esses e outros programas.

Missão e Governança

A missão da Aliança é clara: até 2030, visa erradicar a fome e a pobreza, reduzir desigualdades e contribuir para parcerias globais revitalizadas para o desenvolvimento sustentável. Prioriza transições inclusivas e justas, garantindo que ninguém seja deixado para trás.

A Aliança opera por meio de três pilares principais — nacional, financeiro e de conhecimento — projetados para mobilizar e coordenar recursos para políticas baseadas em evidências adaptadas às realidades de cada país membro.

Além disso, a Aliança realizará Cúpulas Regulares Contra a Fome e a Pobreza e estabelecerá um Conselho de Campeões de Alto Nível para supervisionar seu trabalho. Um órgão técnico enxuto e eficiente, o Mecanismo de Apoio da Aliança Global, será sediado na FAO, mas funcionará de forma independente para fornecer suporte estratégico e operacional, incluindo a promoção de parcerias em nível nacional para implementar iniciativas de combate à fome e à pobreza. O Brasil se comprometeu a financiar metade dos custos do Mecanismo de Apoio até 2030, com contirbuições adicionais de países como Bangladesh, Alemanha, Noruega, Portugal e Espanha.

Embora o G20 tenha sido a plataforma de lançamento para essa iniciativa, a Aliança agora funcionará como uma plataforma global independente, com o apoio contínuo e o impulso possível de futuras presidências do G20. A estrutura completa de governança, incluindo o Conselho de Campeões e o Mecanismo de Apoio, deverá estar operacional até meados de 2025. Até lá, o Brasil fornecerá suporte temporário para funções essenciais, como comunicação e aprovação de novos membros.

Membros fundadores da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza

Países Membros e Entidades Regionais:

  1. Brasil
  2. Bangladesh
  3. Angola
  4. Antígua e Barbuda
  5. Argentina
  6. Armênia
  7. Austrália
  8. Benin
  9. Bolívia
  10. Burkina Faso
  11. Burundi
  12. Camboja
  13. Canadá 
  14. Chade
  15. Chile
  16. China
  17. Colômbia
  18. Chipre
  19. Dinamarca
  20. República Dominicana
  21. Timor Leste   
  22. Egito
  23. Etiópia
  24. Guiné Equatorial
  25. Finlândia
  26. França
  27. Alemanha
  28. Guatemala
  29. Guiné 
  30. Guiné-Bissau
  31. Haiti
  32. Honduras
  33. Índia 
  34. Indonésia 
  35. Irlanda 
  36. Itália
  37. Japão
  38. Jordânia
  39. Quênia
  40. Líbano 
  41. Libéria 
  42. Malásia
  43. Malta 
  44. Mauritânia
  45. México 
  46. Moçambique 
  47. Mianmar
  48. Nigéria
  49. Países Baixos   
  50. Noruega 
  51. Palestina 
  52. Paraguai 
  53. Peru
  54. Filipinas 
  55. Polônia 
  56. Portugal
  57. República da Coreia 
  58. Federação Russa
  59. Ruanda
  60. São Vicente e Granadinas  
  61. São Tomé e Príncipe
  62. Arábia Saudita
  63. Serra Leoa 
  64. Cingapura
  65. Eslováquia
  66. Somália
  67. África do Sul
  68. Espanha
  69. Sudão
  70. Suíça
  71. Tadjiquistão
  72. Tanzânia 
  73. Togo 
  74. Tunísia 
  75. Turquia
  76. Ucrânia
  77. Emirados Árabes Unidos
  78. Reino Unido
  79. Estados Unidos da América 
  80. Uruguai 
  81. Vietnã
  82. Zâmbia
  83. União Africana
  84. União Européia


Organismos Internacionais:

  1. Agência de Desenvolvimento da União Africana – Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (AUDA-NEPAD)
  2. CGIAR
  3. Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)
  4. Comissão Econômica e Social para Ásia Ocidental (CESAO)
  5. Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL)
  6. Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)
  7. Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA)
  8. Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA)
  9. Organização Internacional do Trabalho (OIT)
  10. Liga dos Estados Árabes (LEA)
  11. Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)
  12. Organização dos Estados Americanos (OEA)
  13. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)
  14. Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)
  15. Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD)
  16. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)
  17. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)
  18. Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)
  19. Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat)
  20. Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO)
  21. Instituto de Pesquisa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social (UNRISD)
  22. Programa Mundial de Alimentos (PMA)
  23. Organizacão Mundial da Saúde (OMS)
  24. Organização Mundial do Comércio (OMC)


Instituições Financeiras Internacionais:

  1. Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB)
  2. Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB)
  3. Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB)
  4. Banco Europeu de Investimento (BEI)
  5. Programa Global de Agricultura e Segurança Alimentar (GAFSP)
  6. Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)
  7. Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF)
  8. Novo Banco de Desenvolvimento (NBD)
  9. Grupo Banco Mundial  


Fundações Filantrópicas e Organizações Não Governamentais:

  1. Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab (J-PAL)
  2. Ação da Cidadania
  3. Articulação Semiárido Brasileiro (ASA)
  4. Fundação Bill & Melinda Gates
  5. BRAC
  6. Children's Investment Fund Foundation
  7. Child's Cultural Rights & Advocacy Trust Agency
  8. Education Cannot Wait
  9. Food for Education
  10. Instituto Comida do Amanhã
  11. Fundação Getúlio Vargas (FGV)
  12. GiveDirectly
  13. Global Partnership for Education 
  14. Instituto Ibirapitanga
  15. Instituto Clima e Sociedade (iCS)
  16. Câmara de Comércio Internacional 
  17. Leadership Collaborative to End Ultrapoverty
  18. Maple Leaf Early Years Foundation
  19. Fundação Maria Cecília Souto Vidigal
  20. Oxford Poverty and Human Development Initiative (OPHI)
  21. Pacto Contra a Fome
  22. Fundação Rockefeller
  23. Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI)
  24. SUN Movement
  25. Sustainable Financing Initiative
  26. Their World
  27. Trickle Up
  28. Village Enterprise
  29. Fórum Rural Mundial
  30. World Vision International
  31. Instituto Fome Zero

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