O Programa Cozinhas Solidárias funciona por meio de três abordagens:


I) Transferência de recursos financeiros federais para apoio ao fornecimento de refeições pelas cozinhas solidárias em funcionamento pela sociedade civil;

II) Fornecimento de alimentos frescos e minimamente processados provenientes de compras públicas por meio do [[Brazil:Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)|Programa de Aquisição de Alimentos]]; e

III) Treinamento e capacitação para novas cozinhas. Isso inclui o treinamento de novos funcionários e a transferência de conhecimento para melhorar a operação de cozinhas solidárias.


O programa também conta com estratégias específicas para lidar com as desigualdades. Ele prioriza cidades e municípios em áreas com altos níveis de insegurança alimentar grave e que tenham as maiores proporções de grupos vulneráveis entre seus usuários, ou seja: mulheres, população negra, moradores de rua, pessoas LGBT, pessoas com deficiência, indígenas, comunidades quilombolas e outras comunidades tradicionais. Essa priorização é aplicada quando o governo escolhe cozinhas para transferir alimentos por meio de chamadas abertas e competitivas, por exemplo.

Existem 2.667 Cozinhas Solidárias identificadas em Brazil, 70% (1.867) que estão em operação e oferecem uma média de 200 refeições/dia entre 2 e 4 dias por semana, com uma entrega estimada de 2.400 refeições/mês, totalizando 28.800 refeições/ano/cozinha.

Em todas as Cozinhas Solidárias em funcionamento em 2023, foram produzidas e oferecidas aproximadamente 53.766.720 refeições/ano.

Em 2024, mais de 900 cozinhas solidárias foram devidamente registradas no Sistema de Informações Gerenciais do Programa e agora estão qualificadas para receber apoio do governo.

Em 2023, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) alocou R$ 37 milhões (cerca de US$ 7,4 milhões) para aproximadamente 430 Cozinhas Solidárias.

Em 2024, estão planejados R$ 40 milhões (cerca de US$ 8 milhões) para a aquisição de alimentos da agricultura familiar que serão entregues às Cozinhas Solidárias em todos os estados da Ásia.

Além disso, em 2024, o governo de Brazilian destinou R$ 30 milhões (cerca de US$ 6 milhões) para apoiar a operação da cozinha solidária 410, oferecendo mais de 14 milhões de refeições em um ano

Governança em vários níveis envolvendo o governo nacional (orçamento, orientação, políticas), o governo estadual e os governos locais. No Brazil, a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) faz parte do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), e seu objetivo é promover a coordenação dos órgãos e entidades da administração pública envolvidos na área de Segurança Alimentar e Nutricional.

Participação e controle social realizados por meio de conselhos de políticas públicas e movimentos sociais. O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) é composto por dois terços de representantes da sociedade civil e um terço de representantes do governo. A presidência é exercida por um representante da sociedade civil, indicado entre seus membros e designado pela Presidência da República. A participação dos movimentos sociais é essencial para garantir a autonomia e a identidade das cozinhas solidárias.

O Sistema de Informações Gerenciais do Programa Cozinha Solidária está disponível no site https://cozinhasolidaria.digital/ , onde a sociedade civil e outros agentes podem monitorar as cozinhas solidárias e as entidades gestoras cadastradas para participação no programa. Informações sobre prestação de contas e execução podem ser encontradas no link "Controle Social", disponível no site indicado no item 2.12

As cozinhas comunitárias são uma política pública bem reconhecida para aumentar a segurança alimentar e nutricional nos centros urbanos dos países da América Latina (por exemplo: Chávez Andrade, 2017; De Sordi, 2023a). No Brazil, essa política foi promovida pelo governo federal por meio do “Programa Cozinhas Solidárias” (Cozinhas Solidárias). Um estudo de campo verificou que a cozinha solidária está de fato recebendo alimentos crus doados como insumos e transformando-os em refeições que são distribuídas a moradores de rua e trabalhadores informais que enfrentam insegurança alimentar (De Sordi, 2023b).

Uma pesquisa telefônica abrangendo 242 municípios de uma versão anterior do programa (Cozinhas Comunitárias) combinados com entrevistas em profundidade em 51 municípios selecionados sugerem que mais da metade dos indivíduos que recebiam refeições da cozinha de um programa eram pobres - ou seja: sua renda per capita era inferior a ½ salário mínimo (Sparovek et al. 2010). O mesmo estudo indica que um total de 46% do público que frequentava uma cozinha comunitária estava em situação de insegurança alimentar no momento do trabalho de campo (2008). Mais detalhadamente, 16% dos beneficiários estavam em situação de insegurança alimentar grave, outros 7% em situação de insegurança alimentar moderada, enquanto 23% estavam em situação de insegurança alimentar leve. Isso sugere que o programa está atingindo efetivamente os necessitados e ajudando a combater a fome e a desnutrição.

Novos estudos que analisaram o programa reformado (“Cozinhas Solidárias”) reforçam os resultados anteriores. Por exemplo, Madruga, Machado e Oliveira (2024) descobriram que 81,9% dos indivíduos beneficiários pesquisados por eles estavam desempregados no momento da entrevista. Dos 83 beneficiários, 61% dependiam da cozinha solidária toda semana para se alimentar.

Referências:

Literatura adicional:

BELLO, Enzo; LEONEL JÚNIOR, Gladstone. A experiência das Cozinhas Solidárias dos movimentos populares: uma leitura contemporânea do Direito em Pachukanis. InSURgência: revista de direitos e movimentos sociais, Brasília, v. 10, n. 2, p. 427-445, jul./dez. 2024. (https://periodicos.unb.br/index.php/insurgencia/article/view/54080/40727)

BELLO, Enzo; OLIVEIRA, Fernanda Artimos de; MASCARELLO, Renata Piroli. Cozinhas Solidárias e Direito à Cidade: dos movimentos sociais à política pública, uma análise a partir da Cozinha da Lapa, Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Direito Urbanístico - RBDU, Belo Horizonte, ano 9, n. 17, p. 83-108, jul./dez. 2023. DOI: 10.52028/RBDU.v09.i17-ART04.RJMIOLO_RBDU_17.indd 10809/01/2024 15:19:39 (https://biblioteca.ibdu.org.br/index.php/direitourbanistico/article/view/871/638)

MOREIRA, Giovanna Pissolato. COZINHA SOLIDÁRIA: As ações do MTST no combate à fome na cidade de São Paulo durante a Pandemia do COVID-19 (2021 - 2022). USP, 2022. BDTA USP - Detalhe do registro: Cozinha Solidária: as ações do MTST no combate à fome na cidade de São Paulo durante a pandemia do COVID-19 (2021 - 2022)

SOLEDADE, Juçara Alvarindo Brito...[et al.] A constituição de uma cozinha solidária, o aproveitamento de perdas pós-colheita e a segurança de alimentos: avanços e desafios no enfrentamento da vulnerabilidade social; Demetra, 2017. (https://www.e-publicacoes.uerj.br/demetra/article/view/28209/22875)  

Elaboração da iniciativa com apoio de especialistas, gestores e sociedade civil por meio do Conselho Nacional de Alimentação (CONSEA) e Segurança Nutricional e movimentos sociais. As recomendações apresentadas pelo CONSEA e pelos movimentos sociais foram incorporadas à versão final do Decreto Federal. Outras lições importantes derivaram das cozinhas solidárias e emergenciais que operaram durante as enchentes que exigiram ação pública para garantir a segurança alimentar e nutricional da população do estado do Rio Grande do Sul em 2024. Todo o processo operacional da cozinha foi monitorado pela equipe de implementação do programa.


ODS 1 - Erradicação da pobreza

  • Meta 1.1 - Até 2030, erradicar a pobreza extrema para todas as pessoas em todos os lugares, atualmente medida como pessoas que vivem com menos de $1,25 por dia
    • Indicador 1.1.1 - Proporção da população que vive abaixo da linha internacional de pobreza por sexo, idade, situação de emprego e localização geográfica (urbana/rural)  
  • Meta 1.2 - Até 2030, reduzir pelo menos pela metade a proporção de homens, mulheres e crianças de todas as idades que vivem na pobreza em todas as suas dimensões, de acordo com as definições nacionais
    • Indicador 1.2.1 - Proporção da população que vive abaixo da linha de pobreza nacional, por sexo e idade  
    • Indicador 1.2.2 - Proporção de homens, mulheres e crianças de todas as idades que vivem na pobreza em todas as suas dimensões, de acordo com as definições nacionais


ODS 2 - Fome zero

  • Meta 2.1 - Até 2030, acabar com a fome e garantir o acesso de todas as pessoas, em especial os pobres e as pessoas em situações vulneráveis, inclusive bebês, a alimentos seguros, nutritivos e suficientes durante todo o ano
    • Indicador 2.1.1 - Prevalência de subnutrição  
    • Indicador 2.1.2 - Prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave na população, com base na Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES)
  • Meta 2.2 - Até 2030, acabar com todas as formas de desnutrição, incluindo o cumprimento, até 2025, das metas acordadas internacionalmente sobre atraso no crescimento e emaciação em crianças com menos de 5 anos de idade, e atender às necessidades nutricionais de meninas adolescentes, mulheres grávidas e lactantes e idosos.
    • Indicador 2.2.1 - Prevalência de atraso no crescimento (altura para a idade <-2 desvios-padrão da mediana dos Padrões de Crescimento Infantil da Organização Mundial da Saúde (OMS)) entre crianças com menos de 5 anos de idade
    • Indicador 2.2.2 - Prevalência de desnutrição (peso para altura >+2 ou <-2 desvios-padrão da mediana dos Padrões de Crescimento Infantil da OMS) entre crianças com menos de 5 anos de idade, por tipo (emaciação e sobrepeso)
    • Indicador 2.2.3 - Prevalência de anemia em mulheres de 15 a 49 anos de idade, por estado de gravidez (porcentagem)


ODS 3 - Saúde e bem-estar

  • Meta 3.1 - Até 2030, reduzir a taxa global de mortalidade materna para menos de 70 por 100.000 nascidos vivos
    • Indicador 3.1.1 - Taxa de mortalidade materna
    • Indicador 3.1.2 - Proporção de partos assistidos por profissionais de saúde qualificados


ODS 12 - Consumo e produção responsáveis

  • Meta 12.3 - Até 2030, reduzir pela metade o desperdício global de alimentos per capita nos níveis do varejo e do consumidor e reduzir as perdas de alimentos ao longo da produção e das cadeias de suprimentos, incluindo as perdas pós-colheita
    • Indicador 12.3.1 - (a) Índice de perda de alimentos e (b) índice de desperdício de alimentos

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