
O II Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, realizado em Brasília neste mês de maio, foi um marco importante no fortalecimento da colaboração internacional para erradicar a fome e a pobreza. Durante o evento, Eswatini, Senegal e Zimbábue formalizaram oficialmente sua adesão à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, e o Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB) apresentou sua Declaração de Compromisso (DoC), em um gesto significativo de alinhamento.
Esses desdobramentos indicam o crescente impulso da Aliança Global como força unificadora entre países e instituições empenhados em implementar soluções soberanas e baseadas em evidências para acabar com a fome e a pobreza extrema.
Copresidida pelo Brasil e pela Espanha, a Aliança Global tem como um de seus líderes o ministro brasileiro Wellington Dias, que destacou que, por meio da iniciativa Fast Track (Via Rápida), a Aliança está trabalhando com treze países - seis deles africanos - para detalhar solicitações de apoio para implementar ou expandir programas, com o objetivo de ampliar modelos bem-sucedidos. Ele descreve a Aliança como uma alternativa às abordagens tradicionais de ajuda, que muitas vezes geram dependência, enfatizando que os governos nacionais estão em melhor posição para executar programas em larga escala. Dias também forneceu informações sobre como os países podem aderir e delineou a estrutura planejada da Aliança, que inclui representação regional e um escritório em Adis Abeba.

Etiópia: “Esta é uma iniciativa global indispensável”
Uma das declarações mais marcantes veio do embaixador Leused Tadesse Abebe, falando em nome do vice-primeiro-ministro da Etiópia. Ele ressaltou que nenhum país pode combater sozinho a fome e a pobreza, classificando a Aliança Global como “uma iniciativa global indispensável para resgatar a Agenda 2030” e alinhá-la com a Agenda 2063 da África.
A Etiópia, um dos primeiros países a aderir à Aliança Global e atualmente membro do Conselho de Campeões, anunciou sua disposição em sediar o escritório regional africano da Aliança. O embaixador também apresentou o programa emblemático da Etiópia, “Yulemat Tirufat”, que está sendo apoiado pelo Mecanismo de Apoio Interino da Aliança Global no âmbito da iniciativa Fast Track. O programa promove segurança alimentar e redução da pobreza por meio de ações integradas nas cadeias de valor da pecuária para pequenos produtores, com base em um modelo territorial de “aldeia produtiva”.
“Isso não é apenas um compromisso político”, afirmou o embaixador Abebe. “É um chamado à responsabilidade coletiva. A Aliança Global não é um mecanismo de caridade. É uma parceria entre iguais, fundamentada na soberania, solidariedade e soluções que funcionam.”
Apoio político do continente
Diversos líderes africanos elogiaram a liderança do Brasil. Isaac dos Anjos, ministro da Agricultura de Angola, agradeceu ao presidente Lula da Silva por sua “lição de sabedoria” e anunciou que Angola aderirá à Aliança Global. Mandla Chauca, ministro de Eswatini, descreveu o compromisso de seu país como “essencial para avançar”.
Durante o evento, a primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, descreveu o Diálogo como o primeiro intercâmbio África-Brasil no âmbito da Aliança Global e convidou todas as nações a contribuírem. Sua mensagem enfatizou que a iniciativa já está em funcionamento, conectando atores dos governos, da sociedade civil e das instituições internacionais.
O ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, e a secretária Tatiana Rosito destacaram o pilar financeiro da Aliança Global, enfatizando mecanismos inovadores como instrumentos híbridos de capital baseados na troca de dívidas por Direitos Especiais de Saque (SDRs) voltados ao combate à fome, com participação de bancos multilaterais de desenvolvimento. Esses instrumentos buscam preencher lacunas de investimento e apoiar a implementação em larga escala de programas públicos.
Por sua vez, o vice-presidente da Tanzânia, Philip Mpango, declarou que os esforços individuais já não são suficientes. Ele saudou a Aliança como uma plataforma multilateral extremamente necessária e agradeceu ao presidente Lula por liderar sua criação.
Durante a semana de intercâmbio de conhecimentos, os delegados participaram de visitas técnicas à Embrapa, às Cozinhas Solidárias Sustentáveis e a programas locais de alimentação escolar e agricultura familiar. Essas visitas proporcionaram insights práticos sobre as estratégias brasileiras de combate à fome e à pobreza.