O programa de Apoio Direto para a Criação de Iniciativas Agroalimentares (Programa de Apoyos Directos para la Creación de Iniciativas Agroalimentarias Rurales-CRIAR, em espanhol) foi direcionado a pequenos produtores rurais com o objetivo de melhorar a renda agrícola e a segurança alimentar desencadeada por aumentos de produtividade devido à adoção de tecnologia.

  • Intervenção: O programa forneceu cupons a pequenos e médios agricultores para trocar por tecnologias agrícolas e assistência técnica. As tecnologias eram selecionadas pelo agricultor com base em um menu predeterminado de tecnologias. Os cupons só eram trocados por tecnologias ou insumos.
  • Implementação: O programa forneceu vouchers não reembolsáveis que financiaram 90% do custo total de uma tecnologia agrícola escolhida pelo produtor. O programa CRIAR foi implementado em cinco departamentos da Bolívia (La Paz, Cochabamba, Chuquisaca, Tarija e Potosí), com foco em 33 municípios e 1.355 comunidades. O programa direcionamento do programa baseou-se nos seguintes critérios:
    • vulnerabilidade à insegurança alimentar medida com o “Mapa de Avaliação de Vulnerabilidade” (VAM);
    • capacidade agrícola produtiva; e
    • continuidade territorial para simplificar a execução do programa.
  • A tecnologias oferecidas pelo programa As tecnologias de produção de grãos podem ser divididas em cinco grupos: estufas, plantio, colheita, pós-colheita e pecuária. As tecnologias de plantio (76%) foram as mais demandadas, incluindo principalmente irrigação tecnologias.
  • A A unidade executora implementou feiras tecnológicas no campo. Nessas feiras, os pequenos produtores podiam abordar diferentes fornecedores de tecnologia. No total, foram organizadas 33 feiras - uma por município beneficiado - que duraram cerca de três dias cada. Essas feiras foram localizadas dentro dos municípios para que fossem acessíveis às diferentes comunidades participantes. Durante as feiras, a unidade executora verificou a elegibilidade de cada produtor e forneceu os cupons. A implementação das feiras tecnológicas teve como objetivo reduzir as assimetrias de informações e eliminar os problemas relacionados à escassez de oferta e à escassez de mercados, fornecendo um espaço físico onde a demanda (pequenos agricultores) e a oferta (fornecedores privados de tecnologia) pudessem realizar o intercâmbio comercial.
  • Os produtores usaram os cupons durante a feira para assinar um contrato de compra com o fornecedor selecionado para a tecnologia escolhida. O fornecedor privado selecionado pelo produtor tinha 45 dias úteis para entregar a tecnologia ao produtor. Os os produtores eram elegíveis com base nos seguintes critérios:
    • para apresentar um cartão de identificação válido;
    • para pertencer à lista da comunidade;
    • ter a agricultura como principal atividade econômica; e
    • ser um pequeno produtor com menos de 35 hectares de terra.

Depois que os produtores receberam a tecnologia, a unidade executora forneceu um treinamento personalizado no campo sobre o uso e a operação das tecnologias adquiridas. Esse treinamento teve como objetivo promover o uso adequado e eficaz da tecnologia entre os agricultores. Por fim, uma empresa privada realizou uma verificação in loco do processo de entrega e assistência técnica a todos os produtores beneficiados. O custo total da tecnologia foi pago ao fornecedor privado depois que a empresa de verificação certificou o processo de entrega pela unidade executora do programa.

Aproximadamente 69.000 agricultores em duas fases, de 2011 a 2023.

Custo por beneficiário: US$1.200 (incluindo tecnologia e assistência técnica).

A implementação incluiu uma estreita colaboração e coordenação entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Ministério de Desenvolvimento Rural e Terras, as comunidades locais e o setor privado. Uma unidade executora foi implementada no Ministério para executar o projeto. Um manual operacional para a implementação do programa com responsabilidades, funções, salvaguardas sociais e ambientais, etc., foi desenvolvido antes da implementação do programa e atualizado durante toda a execução.

Unidade executora. O programa foi implementado pelo Estado Plurinacional da Bolívia, por meio da agência executora do Ministério do Desenvolvimento Rural e da Terra (MDRyT), por meio da Instituição Pública Desconcentrada para a Soberania Alimentar (IPD-SA), que foi legalmente estabelecida sob o MDRyT por meio do Decreto Supremo 1858. A unidade de coordenação e execução do programa (PCEU) fazia parte do IPD-SA. A PCEU realizava o planejamento, a gestão e o monitoramento do programa, desenvolvia instrumentos de planejamento, canalizava recursos para a execução, autorizava e transferia pagamentos de cupons e consolidava e apresentava ao Banco informações financeiras e relatórios de monitoramento e avaliação, entre outras responsabilidades estabelecidas nos Regulamentos Operacionais do programa.

Manual operacional. A execução do programa foi regida pelo Manual Operacional, que incluía as regras e os procedimentos para programação, gestão financeira e contábil, aquisições, auditorias, monitoramento e avaliação do programa. Ele também abrangia: (i) as responsabilidades das entidades sob o MDRyT, o IPD-SA e o PCEU; (ii) os critérios de elegibilidade para municípios, tecnologias e beneficiários; e (iii) os detalhes da implementação.

https://www.iadb.org/en/project/BO-L1096

A operação desenvolveu um sistema de gerenciamento e monitoramento (SIGESEVA) que contribuíram para uma execução eficaz e eficiente. Esse sistema serviu de base para a implementação do programa proposto, que incorpora critérios técnicos e operacionais para fortalecer o monitoramento dos indicadores de produtos e resultados, bem como para a coleta de informações durante a fase de registro. Por outro lado, a operação proposta incluirá um projeto rigoroso de avaliação de impacto que medirá os efeitos do programa usando uma metodologia experimental ou quase experimental para identificar um grupo de controle.

  • Regulamento Operacional do Programa (ROP): A execução do programa será regida pelo ROP, que estabelece as regras e os procedimentos para planejamento de atividades, gerenciamento financeiro-contábil, aquisições, auditorias e monitoramento e avaliação do programa. Uma condição prévia para o primeiro desembolso é que o MDRyT tenha aprovado e colocado em vigor o ROP previamente acordado com o Banco. Ele também inclui:
    • procedimentos e responsabilidades das entidades ligadas ao MDRyT, ID-PSA e UCEP;
    • critérios de elegibilidade para municípios, tecnologias e beneficiários;
    • detalhes de execução de cada subcomponente; e
    • o PGAS.
  • Plano Operacional Anual (POA): O POA consolida todas as atividades a serem desenvolvidas durante um período de execução específico, categorizadas por produto, e inclui um cronograma físico-financeiro. O UCEP apresentará o POA e o Plano de Execução Plurianual (PEP) como parte dos relatórios semestrais de monitoramento, abrangendo os dois semestres seguintes, incluindo atividades, cronogramas e orçamentos estimados para os produtos financiados no ano anterior e os propostos para o ano seguinte. O POA e o PEP finais do primeiro ano serão incluídos no relatório operacional inicial.

Plano de Execução Plurianual (PEP): O PEP contém o cronograma de execução do programa, incluindo o calendário de desembolsos (número e valor dos desembolsos) com base nos indicadores de desempenho já incluídos na Matriz de Resultados, bem como o cronograma de execução do projeto.

Visitas anuais de inspeção realizados para monitorar as atividades do programa. O Líder da Equipe realizou pelo menos uma visita semestral aos trabalhos do programa. Além disso, as missões anuais de gerenciamento serão apoiadas para analisar o progresso do programa e tratar de questões específicas identificadas.

Uma avaliação de impacto quase experimental confirma os impactos positivos do CRIAR sobre a produtividade, a renda e a segurança alimentar. Os resultados mostram que a participação no CRIAR aumentou o valor anual da produção por hectare em 92%. Isso representa um aumento de US$ 1.870. Com relação à renda agrícola líquida, os resultados mostram que a participação no CRIAR aumentou a renda agrícola líquida das famílias em 36% e a renda per capita em 19%. Isso representa um aumento de US$ 1.667 na renda líquida familiar e de US$ 257 per capita em relação à renda média do grupo de controle (US$ 4.630 e US$ 1.354). Além disso, as famílias beneficiárias têm uma probabilidade 20% a 30% maior de ter segurança alimentar do que suas contrapartes de controle.

Escala e escopo

  • A avaliação de impacto desenvolvida durante a primeira fase do programa foi fundamental para aumentar o escopo e a escala dessa intervenção em uma segunda fase que está sendo implementada atualmente.

Menu Tecnologia

  • Ao definir o menu de tecnologias, é importante considerar fatores agroambientais, socioculturais e econômicos. Além disso, as tecnologias oferecidas devem servir como medidas de adaptação em potencial para enfrentar possíveis cenários de variabilidade climática.

Fornecimento de assistência técnica em grupo

  • A mudança tecnológica é um fator fundamental para o aumento da produtividade. Entretanto, para maximizar os benefícios das tecnologias adotadas e melhorar a eficiência produtiva, é necessário complementar esses esforços com assistência técnica e treinamento. A assistência técnica em grupo reduz os custos logísticos, gera economias de escala, aumenta o capital social e incentiva a colaboração.
  • O treinamento de assistentes técnicos em tópicos como gênero, mudança climática, tecnologias digitais, entre outros, deve ser considerado quando necessário.
  • A assistência técnica é um processo que deve durar pelo menos dois ciclos agrícolas para fornecer o conhecimento e as informações necessárias para a adoção adequada de tecnologias.
  • Manter um registro atualizado dos participantes do projeto em formato digital com características básicas do produtor e da fazenda.

Abordagem de gênero

  • A diferença de gênero nas áreas rurais ainda é significativa. É menos provável que as mulheres tenham acesso à tecnologia, à assistência técnica e ao crédito. O programa inclui uma abordagem de gênero que promove a participação das mulheres por meio de ações na estrutura de execução e nas ferramentas de monitoramento e avaliação.

Análise da demanda

  • Para assegurar as condições que garantam a articulação da demanda potencial com a oferta dos provedores, uma análise de demanda deve ser conduzida para fornecer informações relevantes para o dimensionamento do programa.

Estratégias de saída e entrada

  • A intervenção deve ter estratégias claras de entrada e saída, com critérios específicos para a participação no programa.

Avaliação e monitoramento

  • A estratégia de coleta de dados (ou seja, linha de base, pesquisas de acompanhamento, etc.) e o projeto de avaliação de impacto devem ser planejados durante o projeto da intervenção (antes da implementação);
  • A implementação de um sistema sólido de monitoramento e avaliação deve ser projetada para avaliar o direcionamento, bem como para medir o impacto causal sobre a renda, a segurança alimentar, a resiliência climática e a produtividade.

Incentivar a participação do setor privado:

  • A implementação de feiras de tecnologia, em que vários fornecedores se reúnem com os produtores em um local específico designado (por exemplo, escola, centro esportivo etc.), pode ser útil para criar um vínculo entre a demanda e a oferta (ou seja, agricultores e fornecedores de tecnologia). Os mesmos espaços podem ser usados para o fornecimento e a troca de cupons.
  • Os cupons não podem ser trocados por dinheiro. Os cupons são trocados apenas por tecnologias e/ou insumos agrícolas.

ODS 2 - Fome zero

  • Meta 2.1 - Até 2030, acabar com a fome e garantir o acesso de todas as pessoas, em especial os pobres e as pessoas em situações vulneráveis, inclusive bebês, a alimentos seguros, nutritivos e suficientes durante todo o ano
    • Indicador 2.1.1 - Prevalência de subnutrição
    • Indicador 2.1.2 - Prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave na população, com base na Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES)
  • Meta 2.3 - Até 2030, dobrar a produtividade agrícola e a renda dos pequenos produtores de alimentos, em especial mulheres, povos indígenas, agricultores familiares, pastores e pescadores, inclusive por meio do acesso seguro e igualitário à terra, a outros recursos e insumos produtivos, ao conhecimento, aos serviços financeiros, aos mercados e às oportunidades de agregação de valor e de emprego não agrícola
    • Indicador 2.3.1 - Volume de produção por unidade de trabalho por classes de tamanho de empresa agrícola/pastoril/florestal
    • Indicador 2.3.2 - Renda média dos produtores de alimentos em pequena escala, por sexo e status indígena
  • Meta 2.4. - Até 2030, garantir sistemas sustentáveis de produção de alimentos e implementar práticas agrícolas resilientes que aumentem a produtividade e a produção, que ajudem a manter os ecossistemas, que fortaleçam a capacidade de adaptação às mudanças climáticas, condições meteorológicas extremas, secas, inundações e outros desastres e que melhorem progressivamente a qualidade da terra e do solo
    • Indicador 2.4.1 - Proporção da área agrícola com agricultura produtiva e sustentável

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