O programa Bolsa Família é uma transferência de renda condicional que paga benefícios mensais em dinheiro a famílias pobres e tem condicionalidades de educação e saúde. O programa tem três objetivos principais: - combater a fome, por meio da transferência direta de renda às famílias beneficiárias; II - contribuir para a interrupção do ciclo de reprodução da pobreza entre gerações; e III - promover o desenvolvimento e a proteção social das famílias, especialmente de crianças, adolescentes e jovens em situação de pobreza (BRASIL, 2023).

  • Pagamento feito preferencialmente a mulheres;
  • O benefício varia de acordo com a composição familiar, com benefícios adicionais por filhos;
  • “Busca ativa” de possíveis beneficiários para reduzir erros de exclusão;
  • Acesso prioritário ao benefício para as populações indígenas, quilombolas (comunidades de ex-escravos), pessoas resgatadas de trabalho em situação análoga à escravidão, catadores de material reciclável e famílias com membros em situação de trabalho infantil;
  • Módulo especial para populações tradicionais e específicas no registro único para captar as necessidades de populações específicas. Além dos cinco grupos com acesso prioritário, o módulo especial inclui moradores de rua, agricultores familiares, pescadores artesanais, pessoas presas, pessoas deslocadas por investimentos em infraestrutura (por exemplo, barragens), ciganos etc.
  • Conjunto distinto de regras para registrar os povos indígenas respeitando as características étnicas.

Número de famílias beneficiárias:

  • 19,8 milhões de famílias (54 milhões de pessoas) – cerca de 26,3% da população brasileira (maio de 2026)

Taxa de cobertura (número total de famílias atendidas em comparação com a estimativa de atendimento do programa):

  • 155% (20/05/2023 - Percentual de cobertura das famílias do PBF com base na estimativa da população pobre do Censo 2010 do IBGE)

Orçamento total do PBF em 2025:

  • R$ 158.218.126.370,98 (aproximadamente US$ 31.074.957.684,39)

Orçamento alocado para pagamentos de benefícios em 2025:

  • R$ 158.185.670.561,98 (aproximadamente US$ 31.067.966.251,14)

Valor médio recebido por domicílio por mês em 2025:

  • Entre R$ 666 (cerca de US$ 130) e R$ 691 (cerca de US$ 135) por mês

Resumo: Governança multinível envolvendo o governo nacional (orçamento, orientação, políticas), estado/província (acompanhamento de saúde e educação, serviços) e governos locais (registro, visita às famílias, cuidados e assistência social, serviços auxiliares). Mecanismos de supervisão por meio de conselhos sociais locais.


Descrição da governança:

O Bolsa Família é um programa de transferência de renda condicional, baseado na família e testado quanto aos meios. Ele tem uma governança multinível que se baseia no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que integra e organiza os governos municipal, estadual e nacional para a prestação de serviços sociais.

Em nível local, Em relação ao Bolsa Família, os municípios gerenciam os Centros de Referência de Assistência Social ([[Brazil:Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) - PAIF (Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família)|CRAS]]), que são os locais onde as famílias podem se dirigir para se inscreverem no [[Brazil:Cadastro Único|Cadastro Único]], uma base de informações que mantém o registro de famílias vulneráveis que recebem menos de meio salário mínimo de renda per capita. As famílias precisam ir a um CRAS para solicitar o Bolsa Família por meio do Cadastro Único.

Depois de se registrar, a família pode ter que aguardar a aprovação de sua conformidade com as condições do programa, que é responsável pela Governo nacional e, mais especificamente, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O MDS cruza dados sobre fontes de renda, composição familiar e documentação regular, além de verificar a matrícula e a frequência das crianças nas escolas, que é uma informação recebida do municipal e estadual departamentos de educação - e a vacinação regular das crianças e o controle do estado nutricional - que é relatado por municipal e estadual departamentos de saúde que são organizados nacionalmente sob o Sistema Unificado de Saúde (SUS). Por fim, as mulheres grávidas devem cumprir o cronograma de exames pré-natais.

Se a família for de fato classificada como elegível para receber transferências do Bolsa Família, ela será incluída como beneficiária ou ainda terá de aguardar na fila do programa. O número total de famílias efetivamente beneficiárias é determinado pelo orçamento federal anual, mas também tem cotas locais. Cada município recebe uma cota do total nacional de vagas com base nas estimativas locais de pobreza feitas pelo Escritório Nacional de Estatística do Brazil (IBGE). Essas não são cotas rígidas, mas definem a alocação de novas vagas disponíveis nos municípios. O governo revisa as cotas municipais a cada três anos. Além disso, todos os meses, o sistema do programa gerenciado pelo MDS identifica automaticamente as famílias a serem incluídas ou excluídas da lista de beneficiários de acordo com as atualizações de dados.

Por fim, os conselhos de assistência social supervisionam o controle social e os mecanismos de participação na nível local.

Bolsa Família e Cadastro Único no Seu Município - portal com informações necessárias para verificar a gestão do Programa Bolsa Família e do Cadastro Único em todos os municípios;

Dados Vis - sistema de gerenciamento e visualização dos diversos programas, ações e serviços, como o Programa Bolsa Família;

Cecad - Consulta, seleção e extração de informações do Cadastro Único. Essa ferramenta permite conhecer as características socioeconômicas das famílias e pessoas incluídas no Cadastro Único (domicílio, faixa etária, trabalho, renda, etc.) bem como saber quais famílias são beneficiárias do Programa Bolsa Família;

Sistema PBF na Saúde (Saúde) - Plataforma do Ministério da Saúde para acesso a documentos e relatórios de acompanhamento das condicionalidades do Bolsa Família;

Sistema Presença (Educação) - sistema desenvolvido pelo Ministério da Educação com o objetivo de monitorar e acompanhar a frequência escolar dos alunos beneficiários do Programa Bolsa Família.

O programa Bolsa Família tem um histórico comprovado de impactos positivos na redução da pobreza, aumento da frequência escolar e acesso a serviços de saúde primária, redução da mortalidade infantil; aumento do acesso a alimentos, com melhora do estado nutricional das famílias beneficiárias; maior frequência escolar e redução da evasão, contribuindo para o empoderamento das mulheres (priorizadas como responsáveis pela família), levando a um impacto positivo nas economias locais, incluindo aumento da formalização geral, e impactos negligenciáveis na participação na força de trabalho e informalidade, se houver. Excelente desempenho de focalização relativa quando comparado a programas similares que não utilizam auto-declaração de renda para selecionar beneficiários. Abaixo podem ser encontrados One Pagers, Policy briefs e artigos que resumem o impacto do Bolsa Família em diferentes dimensões e resultados de interesse. Inclui pesquisas de acadêmicos e instituições nacionais e internacionais, incluindo o Banco Mundial, IFPRI e Ipea:

Impacto na Pobreza e Desigualdade

Os efeitos do programa Bolsa Família do Brasil sobre a pobreza e a desigualdade: uma avaliação dos primeiros 15 anos (de Souza et al., 2019)

Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) referentes ao período de 2001 a 2017, este estudo demonstra que o Bolsa Família exerce efeitos significativos sobre a pobreza e a desigualdade, impulsionados principalmente por sua alta eficácia na seleção das populações mais vulneráveis. Nos últimos anos do período analisado, a cobertura do programa entre o quintil mais pobre da população atingiu 60%. Além disso, sua progressividade aumentou ao longo do tempo, com aproximadamente 70% de seus recursos totais chegando efetivamente a esse quintil mais pobre. Os autores estimam que o programa reduz as taxas de pobreza extrema em 1,0 a 1,5 pontos percentuais, o que se traduz na saída de 3,4 milhões de pessoas da pobreza extrema e de mais 3,2 milhões da pobreza padrão somente em 2017. Ao aplicar a decomposição dinâmica para desagregar a contribuição do Bolsa Família para a redução da pobreza e da desigualdade de outros fatores, os autores constataram que o programa foi responsável por quase 10% da redução total do índice de Gini entre 2001 e 2015 (chegando a quase 17% no período inicial de 2001 a 2006), apesar de representar menos de 0,7% da renda familiar total na PNAD. Os autores concluem que a expansão e a consolidação do programa não comprometeram sua eficiência na seleção de beneficiários nem diminuíram seu papel central no combate à pobreza nacional.

Saúde e Nutrição

Transferências de Renda e Inclusão Produtiva: Evidências do Bolsa Família (Best et al., 2026)

Utilizando um modelo de diferença-nas-diferenças com mais de um bilhão de observações de pessoas-ano provenientes de registros administrativos vinculados, este estudo analisa a reforma da renda garantida do Bolsa Família de 2012 e constata que a expansão do programa reduziu as hospitalizações em 8% e aumentou o emprego em 4,8% (e o emprego formal em 14%). Além disso, reduziu a mortalidade familiar anual em aproximadamente 14% (salvando cerca de 1.000 vidas em todo o país) e produziu um declínio de 38% nas internações hospitalares por subnutrição. Uma análise de bem-estar aponta um valor marginal infinito dos recursos públicos (definido como a razão entre a disposição a pagar dos domicílios afetados e o custo fiscal líquido para o governo) quando as melhorias na saúde são incorporadas à análise, pois as reduções nos gastos públicos com saúde mais do que compensam o custo direto da expansão das transferências. Os autores atribuem esses resultados a um mecanismo de inclusão produtivo: as transferências aliviam as restrições de subsistência e saúde que suprimem a produtividade efetiva entre os extremamente pobres, possibilitando uma maior participação no mercado de trabalho — uma constatação que concilia os efeitos positivos sobre o emprego em contextos de baixa renda com os efeitos desincentivadores observados em países mais ricos.

Impacto de Longo Prazo do Programa Bolsa Família na Razão de Mortalidade Materna no Brasil (Rasella et al., 2021)

Este estudo longitudinal de efeitos fixos, cobrindo 2.548 municípios (2004–2014), avalia a relação entre a duração da cobertura do Bolsa Família, os níveis de benefício e a mortalidade materna. Os resultados demonstram que o programa está significativamente associado a reduções na mortalidade materna, com impactos proporcionais tanto aos níveis de cobertura quanto aos anos de implementação. Notavelmente, esses efeitos de longo prazo são mais pronunciados entre mães jovens e de baixa renda que receberam benefícios durante a infância e adolescência. Isso aponta para um claro caminho intergeracional, onde a exposição precoce ao programa gera benefícios protetores para a saúde materna mais tarde na vida. Além disso, o estudo identifica mecanismos fundamentais subjacentes que impulsionam esses melhores resultados de saúde. Especificamente, a participação no programa está associada a uma redução na proporção de gestantes que recebem zero consultas pré-natais, um aumento nos partos hospitalares e menores taxas de letalidade em casos de complicações relacionadas ao parto.

Efeitos combinados do programa de transferência condicional de renda e das intervenções de saúde ambiental sobre a morbidade da diarreia e da desnutrição em crianças com menos de cinco anos de idade no Brazil, 2006-2016 (Souza et al., 2021)

Utilizando um banco de dados em nível municipal com 3.467 municípios brasileiros (2006–2016) e modelos binomiais negativos de efeitos fixos, este estudo estima os efeitos independentes e combinados do Bolsa Família e das intervenções de saúde ambiental (melhoria do acesso à água, saneamento e coleta de resíduos sólidos) sobre a morbidade em crianças menores de cinco anos. Ao longo da análise, os autores observaram que as taxas médias municipais de morbidade caíram 38,46% para desnutrição e 51,4% para diarreia durante o período analisado. Intuitivamente, as intervenções de saúde estiveram diretamente associadas a uma redução nas taxas de morbidade, enquanto a maior cobertura do Bolsa Família e o maior acesso à água estiveram associados a um aumento nas taxas médias de morbidade. Os autores atribuem esse padrão ao fato de que o programa é direcionado aos municípios mais pobres, que tendem a apresentar as cargas de doenças de referência mais elevadas. Fundamentalmente, a análise demonstra que, embora a combinação de infraestrutura ambiental abrangente (como água e saneamento) reduza significativamente a morbidade, as transferências de renda associadas a apenas uma única intervenção ambiental oferecem proteção adicional limitada. Os autores concluem que as condicionais de saúde do Bolsa Família melhoram o acesso aos cuidados, mas não podem substituir o saneamento básico

O programa brasileiro de transferência de renda (Bolsa Família): Uma ferramenta para reduzir desigualdades e alcançar direitos sociais no Brasil (Neves et al., 2020)

Esta revisão abrangente da literatura sintetiza os resultados de 57 artigos (publicados entre 2003 e 2020) para avaliar os impactos do Bolsa Família em quatro áreas temáticas: pobreza e desigualdade, saúde, alimentação e nutrição, e educação. As evidências estabelecem um forte consenso de que o programa melhora significativamente os indicadores socioeconômicos do país. No entanto, os autores observam que reduções sustentadas na pobreza e na desigualdade exigem múltiplas ações governamentais além das transferências de renda isoladamente. Em termos de saúde, o programa está robustamente associado à menor mortalidade infantil devido às suas condicionalidades de saúde, juntamente com reduções consistentes nas taxas de suicídio, hanseníase e tuberculose. Crucialmente, os ganhos de saúde mais fortes ocorrem quando o programa é integrado à Estratégia Saúde da Família, sublinhando que apenas dinheiro não pode superar as iniquidades em saúde sem melhorias na Atenção Primária à Saúde. As descobertas sobre nutrição e educação revelam limitações semelhantes. Embora o programa aumente o poder de compra de alimentos das famílias, o impacto na qualidade da dieta é misto: alguns estudos relatam aumento no consumo de produtos frescos, enquanto outros constatam que a renda extra é gasta em alimentos ultraprocessados, o que significa que o programa isoladamente não melhora necessariamente o estado de qualidade nutricional. Finalmente, embora o Bolsa Família aumente com sucesso a matrícula escolar, a frequência e o total de horas escolares (com efeitos particularmente fortes para meninas), as evidências indicam que simplesmente manter as crianças na escola não se traduz automaticamente em melhores notas acadêmicas ou em uma redução do trabalho infantil.

O Impacto do Programa de Transferência de Renda Condicionada Bolsa Família do Brasil na Utilização de Cuidados de Saúde e nos Resultados de Saúde das Crianças (Shei et al., 2014)

Com base em pesquisas domiciliares realizadas em 2010 com 567 famílias (com 1.266 crianças) de uma comunidade de favela na cidade de Salvador, Brasil, este estudo utilizou modelos de regressão logística e linear e matching por escore de propensão para estimar os efeitos do Bolsa Família na utilização de cuidados de saúde e nos resultados de saúde das crianças. A análise descobriu que a participação no programa aumenta significativamente as chances de utilização de serviços de saúde preventiva por crianças (visitas de vacinação, monitoramento nutricional e check-ups de crescimento), com efeitos positivos em irmãos mais velhos de 7 a 17 anos que não precisavam cumprir as condicionalidades de saúde. Crianças beneficiárias (entre 7 e 17 anos) também apresentam melhorias nos resultados de saúde psicossocial, relatando melhor satisfação com relacionamentos sociais e comportamento mais adequado à idade. Não foram encontrados efeitos significativos nas taxas de doenças ou nos resultados de saúde física, mas isso pode ser devido ao pequeno tamanho da amostra para esses grupos.

Programa Brasileiro de Transferência de Renda Condicionada Associado a Declínios na Mortalidade Infantil (Shei, 2013)

Utilizando dados em nível municipal do Sistema Único de Saúde (DATASUS), do Ministério do Desenvolvimento Social e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), este estudo empregou uma regressão de painel com efeitos fixos para estimar a associação entre a cobertura do Bolsa Família e a mortalidade infantil e na primeira infância. A análise constatou que o efeito médio do programa foi uma redução de 9,3% na mortalidade infantil geral e de 24,3% na taxa de mortalidade pós-neonatal. Análises adicionais indicaram que essas reduções foram mais pronunciadas em municípios com taxas de mortalidade de referência mais elevadas, sugerindo que o programa reduz ativamente as desigualdades espaciais na saúde infantil. Além disso, os maiores ganhos em termos de mortalidade foram observados em municípios com alta cobertura do Programa Saúde da Família, destacando o papel fundamental da infraestrutura complementar de saúde pública para garantir o sucesso do Bolsa Família. Por fim, o programa não apresentou associação significativa com a mortalidade neonatal.

Os Efeitos Combinados dos Programas de Saúde e Combate à Pobreza na Mortalidade Infantil no Brasil (Guanais, 2013)

Utilizando dados em painel de 4.583 municípios brasileiros entre 1998 e 2010, este estudo empregou uma regressão de efeitos fixos para examinar o impacto combinado do acesso à atenção primária via Programa Saúde da Família (PSF) e transferências de renda condicionadas via Programa Bolsa Família (PBF) na mortalidade infantil pós-neonatal. A análise identificou que cada programa produziu independentemente reduções significativas na mortalidade. Crucialmente, a redução da mortalidade dependeu de ambos os programas, pois a associação entre cobertura do PSF e mortalidade infantil pós-neonatal foi mais fraca em municípios com menor cobertura do PBF. O estudo conclui que as transferências de renda condicionadas (intervenção do lado da demanda) ajudaram famílias de baixa renda a superar barreiras financeiras para acessar a atenção primária (intervenção do lado da oferta). Em última análise, para populações carentes, a combinação de políticas de oferta e demanda é necessária para alcançar resultados ótimos de saúde.

Efeito de um programa de transferência condicional de renda sobre a mortalidade infantil: uma análise nacional de 1TP177 municípios da Tailândia (Rasella et al., 2013)

Utilizando um desenho ecológico misto que abrangeu 2.853 municípios brasileiros entre 2004 e 2009, este estudo empregou regressões de efeitos fixos para avaliar o impacto do Bolsa Família na mortalidade de crianças menores de 5 anos. A análise demonstrou que a mortalidade de crianças menores de 5 anos diminuiu significativamente à medida que a cobertura do Bolsa Família se expandiu. Especificamente, os municípios com cobertura consolidada do programa apresentaram uma redução de 17% na mortalidade geral de crianças menores de 5 anos. Além disso, o estudo destaca que os efeitos protetores do programa foram mais fortes contra causas específicas de morte relacionadas à pobreza, resultando em uma notável redução de 65% na mortalidade atribuível à desnutrição e uma redução de 53% nas mortes causadas por diarreia. Os resultados concluem que as transferências condicionais de renda são um mecanismo altamente eficaz para reduzir a mortalidade na primeira infância em países de renda média.

Educação

O impacto da expansão do Programa Bolsa Família na frequência escolar (Chitolina et al., 2013)

Utilizando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), este estudo avalia o impacto da expansão do programa Bolsa Família em 2007, especificamente a criação do Benefício Variável Jovem (BVJ), na alocação de tempo dos lares beneficiários. O BVJ é um componente de benefício variável que fornece transferências adicionais de dinheiro para famílias de baixa renda, condicionado à frequência escolar de adolescentes de 16 e 17 anos. Utilizando um desenho de diferença-em-diferenças, a análise demonstra que a introdução do BVJ teve um impacto positivo significativo na educação, aumentando a probabilidade de frequência escolar nessa faixa etária em 4 pontos percentuais. Notavelmente, os efeitos positivos mais pronunciados foram observados nas regiões Nordeste e Sudeste, particularmente entre os jovens do sexo masculino e as crianças mais novas do domicílio.

Um substituto para a substituição: Efeitos do Bolsa Família sobre a combinação de trabalho e escola para crianças e adolescentes de 10 a 18 anos (Silveira et al., 2013)

Utilizando o Censo Brasileiro de 2010 e modelos de logit multinomial e probit bivariado com técnicas de ponderação de propensão inversa e *trimming*, este estudo examina como o Bolsa Família afetou a alocação de tempo entre trabalho e escola para crianças e adolescentes. Os resultados mostram que a maior diferença nas taxas de frequência escolar e participação na força de trabalho entre beneficiários e não beneficiários ocorre para o grupo de adolescentes de 15 a 17 anos (a faixa etária mais propensa a abandonar a escola e/ou começar a trabalhar). No geral, os beneficiários têm 5 p.p. a mais de probabilidade de frequentar a escola do que os não beneficiários. Crucialmente, os autores não encontraram um efeito de substituição onde os estudos simplesmente substituem o trabalho. Em vez disso, o programa aumenta tanto a frequência escolar quanto a participação na força de trabalho. Em áreas urbanas, isso se manifesta em um aumento significativo de adolescentes combinando estudo e trabalho. A frequência escolar aumenta em 8 pontos percentuais para meninas urbanas, mostrando resultados positivos semelhantes nas categorias de ‘apenas estudando’ e de trabalho combinado com estudo, e em 6 pontos percentuais para meninos urbanos. Por outro lado, em áreas rurais o programa reduz a probabilidade de adolescentes se dedicarem exclusivamente ao trabalho.

O impacto do programa de transferência de renda condicionada Bolsa Escola/Família na matrícula, nas taxas de abandono e na promoção de classe no Brasil (Glewwe & Kassouf, 2012)

Com base nos dados do censo escolar de 1998 a 2005, este estudo aplica uma estrutura de dados em painel que inclui efeitos fixos e tendências temporais para estimar os impactos do programa sobre a matrícula, a evasão escolar e a passagem de série. A participação no programa aumentou a matrícula escolar em aproximadamente 5,5% nas séries de 1ª a 4ª e em 6,5% nas séries de 5ª a 8ª, reduziu as taxas de evasão escolar e melhorou a passagem de série para ambos os grupos de séries. Esses três resultados educacionais aumentaram ao longo do tempo, atingindo o pico após 2 a 3 anos, com exceção da melhoria na progressão para as séries 5 a 8. As evidências também apontam para uma possível equalização da matrícula por raça, já que o programa é mais eficaz em aumentar a matrícula de crianças negras, mulatas e indígenas em relação às crianças brancas. A condicionalidade educacional aborda de forma eficaz as barreiras do lado da demanda à participação escolar, particularmente em comunidades onde as necessidades econômicas, de outra forma, levariam as famílias a retirar as crianças da escola.

Empoderamento de Gênero

Bolsa Família e autonomia das mulheres: O que dizem os estudos qualitativos? (Bartholo, 2016)

Com base em uma síntese da pesquisa qualitativa existente, este policy brief examina como o Bolsa Família influencia a autonomia das mulheres nos lares beneficiários. As evidências demonstram que, embora o programa não desmantele totalmente os papéis de gênero tradicionais (visto que reforça intrinsecamente os laços entre a identidade feminina e o cuidado infantil), ele, mesmo assim, facilita ganhos genuínos na autonomia feminina. A literatura documenta avanços significativos na autopercepção das mulheres, um aumento da capacidade de questionar relacionamentos conjugais indesejados e uma maior liberdade de escolha. O brief argumenta que os repasses regulares de dinheiro permitem que as mulheres beneficiárias olhem além da sobrevivência imediata, reduzindo o isolamento social e promovendo a participação cívica pública. Paradoxalmente, enquanto o programa consolida as responsabilidades maternas, ele simultaneamente empodera as mulheres a se verem como detentoras independentes de direitos e deveres, permitindo que interajam diretamente com o Estado sem mediação masculina.

Bolsa Família e relações de gênero: resultados de pesquisa nacional (Bartholo, 2016)

Este resumo sintetiza as principais pesquisas quantitativas nacionais sobre o programa Bolsa Família e as relações de gênero, observando que as pesquisas quantitativas existentes se restringem, em grande parte, à análise do acesso a cuidados pré-natais e à tomada de decisões no domicílio. A revisão da literatura demonstra que, particularmente em áreas urbanas, o programa está associado a um aumento da autonomia feminina em relação à compra de bens duráveis e medicamentos infantis, à frequência escolar e ao uso de contraceptivos. O autor enfatiza que o aumento da probabilidade de as beneficiárias urbanas decidirem independentemente sobre métodos contraceptivos sugere que o programa funciona como um instrumento vital para a realização dos direitos reprodutivos. Finalmente, embora o resumo não encontre relação significativa entre o Bolsa Família e as taxas gerais de participação no mercado de trabalho de homens ou mulheres beneficiários, ele identifica mudanças preocupantes na alocação de tempo. Indicações sugerem que qualquer redução no número de horas que as mulheres-alvo dedicam ao trabalho produtivo é compensada por um aumento nas horas dedicadas a tarefas domésticas, uma dinâmica não observada entre os homens-alvo. O autor destaca isso como um efeito negativo na equidade de gênero, dado que o trabalho produtivo formal continua a ser um motor fundamental da autonomia feminina mais ampla.

O impacto do Bolsa Família no poder de decisão das mulheres (de Brauw et al., 2013)

Com base em dados de pesquisa domiciliar longitudinal (2005 e 2009), este estudo aplica ponderação por escore de propensão para construir um grupo de comparação estatisticamente equilibrado de mulheres não beneficiárias, com o objetivo de estimar os efeitos do programa Bolsa Família no poder de decisão das mulheres. Os autores constataram que a participação no programa aumenta o controle exclusivo das mulheres sobre decisões de contracepção em aproximadamente 10 pontos percentuais, com impactos maiores em regiões urbanas quando comparadas às rurais. Ganhos significativos também foram observados na influência das mulheres em várias outras áreas, incluindo o desempenho escolar dos filhos, gastos com saúde e a compra de bens duráveis para o lar. Consequentemente, os resultados indicam que, particularmente em áreas urbanas, transferências de renda condicionadas (TRCs) direcionadas às mulheres podem ser um mecanismo eficaz para aumentar sua voz nas decisões domiciliares. No entanto, os impactos do programa não foram significativos em áreas rurais, sugerindo que o efeito das transferências de renda no controle das mulheres sobre os recursos varia consideravelmente entre contextos urbanos e rurais.

Mercado de Trabalho, Economia Local e Saída do Programa

O Crescimento do Emprego Local Acelera as Saídas da Assistência Social? Evidências do Programa Bolsa Família do Brasil (Fietz et al., 2024)

Utilizando análise de sobrevivência combinada com uma estimativa de painel de efeitos fixos (2012-2019) e um instrumento de shift-share (Bartik) para superar a endogeneidade, este estudo examina se as condições do mercado de trabalho local aceleram as saídas do Bolsa Família. Com base em dados do Cadastro Único (CadÚnico) do Brasil e em registros de emprego formal de 2012 a 2019, os autores constatam que um aumento no emprego local eleva a probabilidade de saída do programa em 0,342 pontos percentuais, elevando a taxa média de transição de 8,61% para 8,69%. Além disso, aumenta a probabilidade de pelo menos um membro da família conseguir emprego formal em 0,259 pontos percentuais. A análise revela que a resposta à saída do programa em função do crescimento do emprego é impulsionada principalmente por famílias com vários adultos; famílias chefiadas por uma única pessoa geralmente enfrentam restrições cumulativas que limitam sua capacidade de aproveitar o crescimento do emprego formal. Corroborando isso, a análise de sobrevivência indica que as famílias que conseguem sair do programa com sucesso geralmente residem em áreas urbanas, têm menos filhos e contam com chefes de família com maior nível de escolaridade. Como os benefícios do crescimento do emprego local se concentram entre famílias que enfrentam menos restrições de mão de obra, o estudo defende veementemente políticas complementares, como treinamento profissional direcionado e ampliação das creches.

Dinâmicas dos Beneficiários no Programa Bolsa Família de Transferência Condicionada de Renda - Capacidades, Restrições e o Mercado de Trabalho Local (Morgandi et al., 2023)

Utilizando um conjunto de dados longitudinal de efeitos fixos com aproximadamente 105.000 domicílios ao longo de um período de oito anos, este estudo utiliza análise estatística descritiva e análise de sobrevivência heterogênea para examinar os determinantes da graduação de beneficiários do Bolsa Família. O acesso ao emprego formal é utilizado como uma variável chave para prever quanto tempo uma família permanecerá no programa. Famílias com membros adultos mais instruídos ou experiência prévia no mercado de trabalho deixam o programa significativamente mais rápido. Adicionalmente, a residência urbana e ter menos dependentes estão associados a maiores probabilidades de graduação. Crucialmente, o estudo conclui que A formalidade do mercado de trabalho local é um determinante estrutural significativo dos padrões de saída, uma vez que o aumento da renda formal acima do limiar é a principal razão pela qual as famílias saem do programa. Em cerca de quatro em cada cinco casos, famílias com renda mais alta no momento da saída derivada de empregos, sendo o restante pensões. Estar em emprego informal (ou autônomo formal) no momento da entrada não tem efeito significativo sobre a probabilidade de saída. Além disso, embora os efeitos do crescimento do emprego local sejam significativos, eles permanecem modestos.

Programas de transferência de renda podem estimular a economia local: Evidências do Brasil (Gerard et al., 2022)

Utilizando dados administrativos longitudinais que abrangem todos os trabalhadores formais e beneficiários do Bolsa Família, combinados com diversos conjuntos de dados de pesquisas e registros administrativos em nível municipal, este estudo estima os impactos da expansão do programa em 2009 sobre o emprego formal e a atividade econômica local. Os autores constatam que um aumento de 13,6% nos pagamentos totais do programa levou a um aumento de 2% no emprego formal no setor privado, um aumento de 1,7% no PIB municipal e um aumento de 2,7% nas receitas tributárias locais em dois anos. O estudo também destaca que o programa pode reduzir a oferta de mão de obra formal entre os beneficiários cuja renda familiar está próxima do limite de elegibilidade. No entanto, os autores concluem que essas dinâmicas coexistem e que os efeitos positivos das transferências de renda sobre a economia local superam seu potencial impacto negativo sobre a oferta de mão de obra formal dos beneficiários do Bolsa Família.

Saída e permanência no CadÚnico: uma análise dos beneficiários de 2005 do PBF — Um estudo a partir dos registros do Cadastro Único e da Folha de Pagamentos do Programa Bolsa Família (IMDS, 2022)

Este estudo longitudinal acompanha uma coorte de 11,6 milhões de beneficiários do Bolsa Família (com idades entre 7 e 16 anos em 2005) ao longo de 14 anos para avaliar sua mobilidade social de longo prazo e sua saída da pobreza. Utilizando dados da folha de pagamento do programa e do Cadastro Único de 2019, os autores avaliaram a situação socioeconômica final das crianças que cresceram recebendo o benefício. A análise revela que, até 2019, 64,1% da coorte original (aproximadamente 7,45 milhões de indivíduos) havia saído com sucesso do cadastro, indicando que alcançaram uma renda acima do limite de elegibilidade de baixa renda do programa. No entanto, as taxas de emancipação variaram acentuadamente entre os grupos demográficos. As saídas foram significativamente maiores entre os homens (69%) do que entre as mulheres (55%), e os indivíduos brancos saíram do registro a uma taxa de 65%, notavelmente superior à dos indivíduos negros e pardos (54%) e dos beneficiários indígenas (46%). As taxas de saída também demonstraram disparidades regionais significativas, variando de 74% no Sul a 58% no Nordeste, com extremos em nível estadual chegando a 81% em Santa Catarina e caindo para 55% no Piauí e no Rio Grande do Norte.

Bolsa Família, escolha ocupacional e informalidade no Brazil (Barbosa e Corseuil, 2013)

Utilizando microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2006 e um desenho fuzzy de regressão por descontinuidade, este estudo examina se o Bolsa Família distorce as escolhas ocupacionais dos adultos em direção ao emprego informal, na tentativa de preservar a elegibilidade para o programa. Em doze amostras distintas de domicílios retiradas deste conjunto de dados (incluindo análises específicas de chefes de família e provedores secundários), as estimativas obtidas foram estatisticamente insignificantes. Em última análise, a evidência demonstra que a transferência de renda não tem impacto nas escolhas ocupacionais dos adultos brasileiros em relação ao emprego formal versus informal.

Efeitos de Crescimento e Multiplicadores

Os efeitos macroeconômicos das transferências de dinheiro: Evidências do Brazil (Mendes et al., 2024)

Utilizando um amplo conjunto de dados em painel que abrange 26 estados brasileiros e o Distrito Federal ao longo de 16 anos (2004–2019), este estudo aplicou uma abordagem de variáveis instrumentais no estilo de Bartik e regressões de Mínimos Quadrados em Duas Etapas (2SLS) para avaliar o impacto macroeconômico das transferências de renda do Bolsa Família. A análise estima que um estado que receba 1% a mais de seu PIB em transferências do programa apresenta um aumento de 2,2 pontos percentuais no crescimento relativo da produção em comparação com outros estados. Esse estímulo econômico mostra-se altamente persistente ao longo do tempo, refletindo a natureza sustentada das injeções de recursos do programa. Além disso, o estudo identifica um efeito multiplicador local sobre o emprego: cada R$ 100.000 adicionais em transferências gera aproximadamente três empregos no setor formal e quase nove empregos no setor informal.

Direcionamento

Focalização do programa Bolsa Família de 2012 a 2018 com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Paiva et al., 2020)

Com base em dados de renda da Pesquisa Nacional por Amostra Contínua de Domicílios (PNAD Contínua) entre 2012 e 2018, este estudo avalia se a precisão do mecanismo de seleção de beneficiários do Bolsa Família manteve o alto desempenho observado no início dos anos 2000, apesar das mudanças na gestão. Os resultados sugerem que a proporção de beneficiários entre os 10% mais pobres do país aumentou de 32,6% para 38,9% ao longo do período de análise, e a proporção de beneficiários entre os mais pobres 20% cresceu de 58% para 65,5%. A seleção de beneficiários do programa continua altamente eficaz, com os valores mais altos dos benefícios direcionados com precisão aos destinatários mais pobres. Além disso, o coeficiente de concentração das transferências melhorou de –0,58 para –0,64, demonstrando a crescente capacidade do programa de reduzir a desigualdade de renda. No entanto, apesar dessas melhorias, aproximadamente um em cada cinco dos 10% brasileiros mais pobres ainda enfrenta erros de exclusão e não recebe as transferências. Curiosamente, as regiões mais pobres (o Norte e o Nordeste) apresentam o menor número de erros de exclusão, desafiando a suposição de que estados mais ricos, com maior capacidade administrativa, alcancem um direcionamento mais preciso. Por fim, a comparação do Bolsa Família com os indicadores do ASPIRE/Banco Mundial para a América Latina demonstra que o programa representa um caso raro que combina com sucesso precisão rigorosa no direcionamento com ampla cobertura.

Adequação

Adequação dos Programas de Proteção Social Brasileiros às Necessidades de Crianças e Adolescentes (UNICEF Brasil, 2023)

Este policy brief aplica uma metodologia sensível a crianças para avaliar se os principais programas de proteção social do Brasil atendem adequadamente crianças e adolescentes, examinando cobertura de benefícios, focalização e ligações com resultados de saúde, educação e nutrição. Os autores concluem que o sistema do Brasil está altamente adaptado para crianças em comparação com outras regiões em desenvolvimento. Especificamente, tanto o Bolsa Família original quanto sua iteração atual (Novo Bolsa Família) satisfazem plenamente todos os critérios dos autores para avaliar a adequação do programa para crianças. O brief observa que o programa substituto intermediário, Auxílio Brasil, enfraqueceu temporariamente o fator equidade ao operar com um piso fixo de R$ 600 mensais, independentemente da composição familiar. No entanto, os autores creditam ao Novo Bolsa Família (introduzido em março de 2023) a restauração de uma estrutura genuinamente equitativa e variável, através de pagamentos adicionais de R$ 150 por criança menor de seis anos e R$ 50 para crianças mais velhas e mulheres grávidas ou lactantes, notavelmente sem teto por família. Finalmente, o documento destaca a excepcional capacidade intersetorial do Bolsa Família, elogiando o uso de sistemas de informação integrados para rastrear condicionalidades relacionadas à frequência escolar, vacinação e cuidados perinatais.


Referências:

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Por meio de monitoramento e avaliação regulares e estudos específicos, o programa fez alguns ajustes para atender à necessidade de:

  • considerar a dinâmica da pobreza (mobilidade dentro e fora da pobreza) em suas regras;
  • fornecer valores de transferências suficientes para elevar a maioria das famílias beneficiárias a níveis acima da linha de pobreza;
  • Financiar e incentivar adequadamente a administração local responsável por coletar as informações que alimentam o registro único;
  • treinar regularmente toda a equipe do programa, especialmente em nível local;
  • fornecer informações claras à equipe e à população-alvo sobre os objetivos, os critérios de elegibilidade e as condicionalidades dos programas;
  • proteger o valor real da transferência da inflação, com ajustes periódicos (no máximo a cada dois anos);
  • implementar uma estrutura de benefícios bem projetada e mecanismos de verificação e revisão de registro para evitar indução negativa (como comportamento que leve à divisão da família para maximizar artificialmente o valor total da transferência familiar e/ou pela omissão de alguns membros da família ou da renda no Cadastro Único);
  • garantir um mecanismo de saída gradual e suave quando as condições de elegibilidade não forem mais atendidas (por exemplo, quando um membro adulto encontrar um emprego formal capaz de fazer com que a renda per capita da família se aproxime da linha de pobreza de elegibilidade), bem como condições mais fáceis para retornar ao programa, no caso de uma queda na renda familiar;
  • cruzamento de informações sobre renda e outras informações sobre a família em diferentes registros administrativos;
  • atenção especial para garantir o registro e o pagamento em áreas isoladas (de difícil acesso), cruzando com os dados autodeclarados no Cadastro Único;
  • atenção especial para garantir o registro e o pagamento em áreas isoladas (difícil acesso);
  • atuando por meio de coordenação intersetorial e com outros níveis de governo.

ODS 1 - Erradicação da pobreza

  • Meta 1.1 - Até 2030, erradicar a pobreza extrema para todas as pessoas em todos os lugares, atualmente medida como pessoas que vivem com menos de $1,25 por dia.
    • Indicador 1.1.1 - Proporção da população que vive abaixo da linha internacional de pobreza por sexo, idade, situação de emprego e localização geográfica (urbana/rural)
  • Meta 1.2 - Até 2030, reduzir pelo menos pela metade a proporção de homens, mulheres e crianças de todas as idades que vivem na pobreza em todas as suas dimensões, de acordo com as definições nacionais.
    • Indicador 1.2.1 - Proporção da população que vive abaixo da linha de pobreza nacional, por sexo e idade
    • Indicador 1.2.2 - Proporção de homens, mulheres e crianças de todas as idades que vivem na pobreza em todas as suas dimensões, de acordo com as definições nacionais
  • Meta 1.3 - Implementar sistemas e medidas de proteção social adequados em nível nacional para todos, inclusive pisos, e até 2030 alcançar uma cobertura substancial dos pobres e vulneráveis.
    • Indicador 1.3.1 - Proporção da população coberta por pisos/sistemas de proteção social, por sexo, distinguindo crianças, pessoas desempregadas, idosos, pessoas com deficiência, mulheres grávidas, recém-nascidos, vítimas de acidentes de trabalho, pobres e vulneráveis


ODS 2 - Fome zero

  • Meta 2.1 - Até 2030, acabar com a fome e garantir o acesso de todas as pessoas, em especial os pobres e as pessoas em situações vulneráveis, inclusive bebês, a alimentos seguros, nutritivos e suficientes durante todo o ano.
    • Indicador 2.1.1 - Prevalência de subnutrição
    • Indicador 2.1.2 - Prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave na população, com base na Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES)
  • Meta 2.2 - Até 2030, acabar com todas as formas de desnutrição, incluindo o cumprimento, até 2025, das metas acordadas internacionalmente sobre atraso no crescimento e emaciação em crianças com menos de 5 anos de idade, e atender às necessidades nutricionais de meninas adolescentes, mulheres grávidas e lactantes e idosos.
    • Indicador 2.2.1 - Prevalência de atraso no crescimento (altura para a idade <-2 desvios-padrão da mediana dos Padrões de Crescimento Infantil da Organização Mundial da Saúde (OMS)) entre crianças com menos de 5 anos de idade
    • Indicador 2.2.2 - Prevalência de desnutrição (peso para altura >+2 ou <-2 desvios-padrão da mediana dos Padrões de Crescimento Infantil da OMS) entre crianças com menos de 5 anos de idade, por tipo (emaciação e sobrepeso)
    • Indicador 2.2.3 - Prevalência de anemia em mulheres de 15 a 49 anos de idade, por estado de gravidez (porcentagem)

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