O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) realiza compras institucionais de alimentos de agricultores familiares e os destina a pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional. Seus principais objetivos são fortalecer a agricultura familiar, gerando emprego, renda e desenvolvimento da economia local, e promover o acesso aos alimentos, contribuindo para a redução da insegurança alimentar e nutricional (MDS).

  • Acesso prioritário ao programa para a população indígena, quilombola e outros povos tradicionais inscritos no Cadastro Único;
  • A regulamentação abrange também populações específicas, como agricultores familiares e pescadores artesanais registrados no Cadastro Único.
  • 44.322 agricultores forneceram o programa em 2023.
  • 22.604 mulheres agricultoras forneceram o programa em 2023 (51% do total).
  • 18.021 fornecedores agrícolas estão registrados no Registro Único (40% do total). A meta almejada é de 60%.
  • 70.000 toneladas de alimentos doados em 2023.
  • 6.567 entidades foram beneficiadas com as doações do programa em 2023, incluindo unidades públicas de assistência social e entidades filantrópicas (saúde, educação e justiça).
  • 51 cozinhas comunitárias e solidárias apoiadas pelo PAA em 2023.
  • 783 pontos de distribuição de leite em 10 estados do semiárido nordestino e norte de Minas Gerais.

2023 Alocação orçamentária: R$ 1.040.109.682 (cerca de US$ 200.000)

  • Valor máximo anual a ser investido por um beneficiário fornecedor (agricultor familiar) do PAA Compra com Doação Simultânea: R$ 15.000 (cerca de US$ 3.000)
  • Valor anual máximo a ser investido pelo beneficiário fornecedor do PAA-Milk: R$ 30.000 (cerca de US$ 6.000)
  • Valor médio anual investido por beneficiário fornecedor das duas modalidades em 2023: R$ 8.360 (cerca de US$ 1.600)


Distribuição de recursos para públicos prioritários:

  • R$ 74 milhões para o PAA Indígena (cerca de US$ 15 milhões)
  • R$ 19 milhões para o PAA quilombola (cerca de US$ 4 milhões)
  • R$ 25 milhões para fornecer Cozinhas Solidárias (cerca de US$ 5 milhões)

O PAA emprega um modelo de governança multissetorial, descentralizado e participativo, envolvendo:

  • Participação de entes federativos públicos, entidades de assistência social, comunidades locais, instâncias de controle social.
  • O PAA opera em 5 modalidades (Compra com doação simultânea, PAA-Leite, Formação de Estoque, Compra Direta e Compras Institucionais). A gestão das modalidades de Compra com doação simultânea é de responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Social e é executada por meio dos seguintes instrumentos: (a) convênio de adesão, quando os executores são os entes federativos (estados, municípios) ou (b) descentralização de recursos, quando a execução é pela Companhia Nacional de Abastecimento para a compra de organizações cooperativas, associações e outros.
  • A modalidade Compra Institucional do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA-CI) está sob a responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Ela permite que instituições públicas comprem alimentos diretamente dos agricultores familiares por meio de chamadas públicas, sem a necessidade de licitação. Essa modalidade abastece instituições como hospitais, unidades militares, presídios e refeitórios universitários. Cada unidade familiar pode vender até R$ 20.000 por ano para cada instituição, e pelo menos 30% dos alimentos adquiridos pelos órgãos federais devem ser provenientes de pequenos produtores.
  • O Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA) é responsável pelo controle social, desde a elaboração das propostas até o seu acompanhamento, monitoramento e avaliação.
  • A Plataforma Brasil Participativo é uma ferramenta digital desenvolvida para habilitar a sociedade civil a participar diretamente da elaboração do Plano Plurianual (PPA) 2024–2027. Ela é descrita como a maior iniciativa de participação digital da história do governo federal, servindo como um dos três pilares do processo do ‘PPA Participativo’, ao lado do Fórum Interconselhos e das Plenárias Estaduais. A plataforma possibilitou a participação da sociedade civil na definição das diretrizes que agora norteiam o uso do PAA para promover a inclusão produtiva rural e o atendimento alimentar saudável a populações vulneráveis.

O Sistema de Gestão do Programa de Compras Públicas é uma plataforma desenvolvida para gerenciar todas as informações relacionadas ao programa. Seu principal objetivo é gerenciar o processo de gestão do Programa, permitindo o acompanhamento das etapas, desde a seleção dos fornecedores até a distribuição dos alimentos aos beneficiários.

Contribuições do Programa de Aquisição de Alimentos para o fortalecimento da agricultura familiar, segurança alimentar e nutricional: uma revisão integrativa (Silva et al., 2025)

Estabelecido em 2003 como parte do Programa "Fome Zero", o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) é uma política pública estruturante crucial para o combate à fome e o fortalecimento da agricultura familiar. O programa tem sofrido um desmonte orçamentário e operacional sistemático, concomitantemente com o aumento da insegurança alimentar no Brasil. Esta revisão integrativa da literatura examina a importância do PAA na garantia da soberania alimentar e no empoderamento da agricultura familiar. A busca pela literatura foi realizada em dezembro de 2022, abrangendo publicações em português, espanhol e inglês dentro de um período de dez anos. As bases de dados utilizadas foram SciELO e BVS, que incluem LILACS e MEDLINE. Foram identificadas trinta e cinco publicações e oito artigos foram incluídos nesta revisão após análise. As experiências documentadas demonstram a eficácia do PAA no combate à fome e na contribuição para a promoção da segurança alimentar de famílias rurais. Não obstante, o programa enfrenta desafios relacionados a cortes orçamentários, descontinuidade de modalidades operacionais e ausência de estruturação como política de Estado. Diante disso, é urgente a revisão das estruturas organizacionais do PAA e a consolidação deste programa como política de Estado, não apenas para garantir sua resistência, mas também para retomar sua efetividade.

PAA: Duas Décadas de Contribuição Estratégica para o Combate à Fome e o Desenvolvimento da Agricultura Familiar no Brasil (Nunes et al., 2025)

Em 2023, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) completou duas décadas de sua criação. O programa se consolidou como o segundo instrumento mais importante para a inclusão produtiva da agricultura familiar no Brasil, visando a construção de mercados voltados para a garantia da segurança alimentar e nutricional das populações mais vulneráveis. Desde sua criação e por sucessivas trocas de governo, o Brasil saiu do mapa da fome em 2014, mas retornou a ele em 2022. Apesar disso, o programa tem ampliado gradualmente a cadeia produtiva da agricultura familiar e sido sustentado por leis que trouxeram efeitos práticos para a melhoria do programa e para atender às demandas de produtores e consumidores. A literatura tem destacado diversas conquistas trazidas pelo programa, como a comercialização e garantia de escoamento da produção; o aumento de renda, melhoria da qualidade de vida e maior autonomia para os produtores; a diversificação da produção; a inserção no sistema produtivo e a ampliação da rede de assistência social que recebe os produtos; entre outras.

Programa de Aquisição de Alimentos: uma análise lógico-avaliativa do modelo de aquisição institucional (Salgado et al., 2025):

Este artigo apresenta as premissas teóricas que subsidiam o Programa de Aquisição de Alimentos na sua modalidade de compras institucionais (PAA-CI), utilizando a metodologia de modelo lógico para descrever as articulações entre ações, produtos e resultados esperados, bem como propondo um modelo de avaliação. A análise baseou-se em materiais institucionais, documentos legais referentes ao PAA e revisão de literatura. O método utilizado foi baseado em Cassiolato e Gueresi (2015) e WKKF (2004). Os resultados delinearam o modelo lógico do programa, ampliando a avaliação para incluir atores-chave, capacidades estatais e barreiras de desempenho. Criado em um contexto de preocupações com a fome, a má nutrição e os desafios nutricionais, o PAA-CI vai além da simples aquisição pública. A diversidade de objetivos demanda ações complementares, como a extensão rural e a divulgação de informações aos agricultores familiares, preparando-os para acessar este mercado. Ademais, é essencial a capacitação de gestores públicos para adequar cardápios e processos administrativos às especificidades da agricultura familiar e aos objetivos do programa. Tais ações são fundamentais para garantir a efetiva implementação da política em diferentes contextos organizacionais e territoriais, contribuindo para a eficácia da política pública e a promoção de dietas saudáveis e sustentáveis.

Série Proteção Social - Policy Brief #3: Adequação dos programas de proteção social Brazilian às necessidades de crianças e adolescentes (Arruda, 2024):

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do Brasil direciona alimentos produzidos por agricultores para instituições públicas, como hospitais e orfanatos, por meio da iniciativa “Compra com Doação Simultânea” (CDS). O PAA influenciou o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) do Brasil, que, a partir de 2009, determinou que pelo menos 30% dos ingredientes das refeições escolares fossem adquiridos de agricultores familiares (GoB e IPEA, 2022). Embora as pesquisas sobre o impacto direto do PAA no bem-estar das crianças continuem limitadas, os estudos destacam tendências positivas. Assistentes sociais em Minas Gerais observaram uma melhora nos indicadores de saúde e crescimento entre as crianças que recebiam refeições apoiadas pelo PAA (D'Ávila e Silva, 2012). Da mesma forma, uma pesquisa em Dracena, São Paulo, associou os alimentos ricos em nutrientes do programa à redução das taxas de doenças, principalmente entre crianças e idosos (Antunes e Hespanhol, 2011).

Compras públicas de alimentos e segurança alimentar: uma avaliação dos impactos do PAA na agricultura familiar em Brazil (Sambuichi et al., 2024):

O PAA-CDS contribuiu para um aumento médio de 24,21 TP113T na renda bruta dos agricultores proveniente da produção. Os mais pobres foram os que mais se beneficiaram, com um aumento de 45,91 TP113T para os agricultores no 10º percentil de renda bruta. No que diz respeito à diversidade da produção, estimamos um impacto positivo significativo do programa no índice de diversidade e no número de produtos, bem como uma redução na especialização da renda bruta. Esses resultados sugerem que a concepção do programa pode ser eficaz para seus objetivos principais.

Vinte anos de compras da agricultura familiar: um marco para as políticas públicas de desenvolvimento rural e segurança alimentar e nutricional no Brasil (Sambuichi & Silva, 2023):

Este livro reúne diversos capítulos que abordam o modelo lógico do programa, a análise da diversidade de produtos adquiridos pelo PAA, a análise da execução do programa em municípios brasileiros, como o programa operou durante a pandemia da Covid-19, a revisão sistemática da literatura sobre o programa desde sua criação em 2003, as contribuições do programa para a segurança alimentar e nutricional e um estudo que destaca o impacto do programa na produção dos agricultores familiares.

O Programa de Aquisição de Alimentos: contribuições à agricultura familiar e à segurança alimentar e nutricional no Rio Grande do Sul (Dutra, 2023):

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) atua como uma "escola" para agricultores familiares, utilizando a Compra com Doação Simultânea como principal porta de entrada para a transição da subsistência para os mercados formais. Ao incentivar os agricultores a se organizarem em cooperativas para gerenciar a logística, o programa impulsiona a eficiência estrutural e o poder político. O atendimento às diversas demandas do PAA também impulsiona a diversificação agrícola, o que melhora a qualidade da dieta das próprias famílias produtoras. Em última análise, esse mercado institucional garantido gera uma renda média equivalente a um salário mínimo, proporcionando estabilidade financeira que permite às famílias investir em suas terras e incentiva os jovens a permanecerem no campo.

Políticas públicas, segurança alimentar e nutricional e sistemas alimentares sustentáveis: convergências do Programa de Aquisição de Alimentos (Grisa, 2021):

Este estudo apresenta uma reflexão mais recente, conectando o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) ao debate sobre sistemas alimentares sustentáveis. Criado em 2003 no Brasil, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) liga o fortalecimento da agricultura familiar a ações relacionadas à segurança alimentar e nutricional e à assistência social. Sua originalidade, inovações e resultados têm despertado a atenção da academia e de diversas esferas políticas e institucionais no país e em todo o mundo. Este capítulo tem como objetivo explorar as razões para essa proeminência, analisando as contribuições do PAA para a segurança alimentar e nutricional e para a construção de sistemas alimentares sustentáveis. Além disso, busca avaliar em que medida as projeções internacionais têm se refletido na trajetória nacional do programa. Os resultados apontam importantes convergências entre políticas públicas, segurança alimentar e nutricional e a construção de sistemas alimentares sustentáveis.

O Desenvolvimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA): uma análise de sua implementação, benefícios e desafios (Perin et al., 2021):

Criado em 2003 com o objetivo de promover a agricultura familiar e combater a insegurança alimentar de pessoas em situação de vulnerabilidade, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) tem sido um importante canal de escoamento da produção para pequenos produtores rurais e uma forma relevante de promoção do acesso a alimentos saudáveis em políticas públicas. Ao longo de sua trajetória, diversas mudanças normativas e institucionais foram ocorrendo visando aprimorar sua implementação. O presente trabalho tem como objetivo analisar a evolução da implementação do PAA ao longo de sua trajetória no período de 2003-2019, buscando compreender como as mudanças em sua regulamentação e histórico de execução podem ter influenciado os resultados do programa em relação aos seus principais benefícios e desafios. O método utilizado neste estudo compreendeu análise documental, revisão sistemática da literatura e análise de conteúdo. A análise documental revelou três períodos principais da implementação do PAA. O período inicial (2003-2008) foi de aprendizado e organização dos processos tanto em nível gerencial quanto local. O período intermediário (2009-2013) teve como principais características o fortalecimento do programa, marcado pelo protagonismo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o surgimento de uma outra modalidade de execução (por Termo de Adesão, operado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e, por fim, a Operação Agro-Fantasma, que causou uma queda abrupta das operações do programa ao final desse período. No período mais recente (2014.

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) como uma estratégia para enfrentar os desafios da COVID-19 (Sambuichi et al., 2020):

Os resultados demonstraram que, em cenário de otimização, a ascensão do investimento pode proporcionar ampla capilarização dos benefícios do programa. Os resultados apontam que o PAA é estratégico para o enfrentamento dos efeitos negativos da COVID-19 por ajudar o escoamento de produtos da agricultura familiar para os consumidores, estruturar cadeias produtivas, facilitar o acesso a novos mercados e induzir dinâmicas econômicas, além de combater a fome e a pobreza extrema de famílias em vulnerabilidade. Ademais, a pesquisa constatou que o programa está em condições operacionais e adaptado à realidade da pandemia, seguindo os protocolos estabelecidos pelas autoridades sanitárias. Assim, o PAA pode minimizar as crises sanitária e econômica para a população mais vulnerável. Ele atende às demandas da sociedade civil organizada e às recomendações de órgãos nacionais e internacionais especializados na redução dos impactos econômicos e sociais da pandemia de COVID-19.

Impactos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) no Rendimento Escolar dos Municípios do Paraná (Cattelan & Ferreto, 2019):

Este trabalho demonstrou que a variável distorção idade/série nos anos iniciais do ensino fundamental, para o grupo formado pelos municípios afetados pelo PAA, obteve uma melhoria estatisticamente significativa em relação aos municípios que não participaram do programa.

Três gerações de políticas públicas para a agricultura familiar e formas de interação entre sociedade e Estado no Brasil (Grisa & Schneider, 2014):

Este artigo apresenta uma análise estrutural da evolução das políticas públicas voltadas para a agricultura familiar, contribuindo para a compreensão do contexto em que se insere o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O artigo busca realçar as “gerações” ou marcos de política que foram fortalecidos em momentos chave, as formas como esses marcos foram construídos e as relações entre Estado e sociedade civil. A análise aponta o surgimento, em diferentes períodos e contextos, de três gerações ou marcos de política para a agricultura familiar: a primeira voltada ao fortalecimento da dimensão agrícola e agrária dessa categoria social; a segunda centrada em políticas sociais e de bem-estar; e a terceira na construção de mercados orientados para a segurança alimentar e a sustentabilidade ambiental. Essa análise também destaca que as relações entre Estado e sociedade civil mudaram e se tornaram mais complexas ao longo do tempo. De posições críticas e reivindicadoras, a sociedade civil caminhou para um papel mais proativo e, mais recentemente, também se tornou parceira na implementação e na cogestão de políticas públicas. Vale ressaltar que as três gerações de políticas públicas e as diversas formas de relação entre sociedade civil e Estado coexistem atualmente nas arenas públicas.  

Demanda estruturada e pequenos agricultores no Brazil: o caso do PAA e do PNAE (Soares et al., 2013):

É notável que a região com menor renda média de pessoas autônomas na agricultura, o Nordeste, também seja a região com a menor proporção de cooperativas ou do governo como principal comprador da produção de agricultores familiares. Esses fatos sugerem que a distribuição regional dos recursos do PAA, que prioriza o Nordeste, está corretamente distribuída da perspectiva de seus objetivos de redução da pobreza. Além disso, cerca de 43% dos fornecedores do PAA/CDS, que é a modalidade predominante do PAA com quase 85% dos recursos, estão inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), e a maioria dos inscritos são beneficiários do Bolsa Família. Não surpreendentemente, o PAA se tornou o componente mais importante do pilar de ’inclusão produtiva rural‘ do plano Brasil sem Miséria, a atual intervenção carro-chefe do governo brasileiro. A recente evolução institucional e orçamentária de ambos os programas, o PAA e o PNAE, demonstram claramente o compromisso das partes interessadas envolvidas em seu projeto e implementação para garantir que os programas atendam às necessidades tanto dos agricultores familiares (lado da oferta) quanto dos consumidores finais de seus produtos (lado da demanda). Enquanto o PAA permite que pequenos agricultores vendam o excedente de sua produção, principalmente localmente, em pequenas quantidades com oferta irregular, o PNAE pode impulsionar os ganhos do PAA, pois oferece uma demanda maior e constante — embora com mais desafios para os produtores.

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) contribui para a segurança alimentar e nutricional por meio da compra de alimentos produzidos pela agricultura familiar e, em seguida, destinando-os a pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional, além de fortalecer as redes de proteção social. Simultaneamente, o PAA atua na criação de mercados para a agricultura familiar, garantindo escoamento da produção, gerando renda e fortalecendo a economia local. (Grisa et al., 2011):

Este artigo aborda diretamente o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), voltado para a promoção da segurança alimentar e nutricional e a transformação da estrutura produtiva e das condições de acesso ao mercado da agricultura familiar, destacando seu papel fundamental na integração da segurança alimentar com o fortalecimento da agricultura familiar no Brasil. Os autores detalham como essa política pública incentiva a diversificação produtiva e o cultivo de alimentos orgânicos, reduzindo a dependência de pequenos produtores em relação a intermediários. O texto descreve as diferentes modalidades do programa, destacando benefícios como melhorias na alimentação escolar e a valorização de culturas alimentares regionais antes negligenciadas. Apesar dos seus impactos positivos na renda e na organização social rural, a pesquisa aponta obstáculos significativos, incluindo limitações logísticas, burocracia excessiva e falhas na assistência técnica. Em suma, o artigo tornou-se uma referência para estudos realizados em diferentes regiões do país, focando no processo de implementação do PAA, seus efeitos, impactos e desafios.  


Referências

Arruda, P. L. (2024). Adequação dos programas de proteção social brasileiros às necessidades de crianças e adolescentes (Série Proteção Social – Nota de Política Nº 3). Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF); Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

Cattelan, R., & Ferreto, L. E. D. (2019). Impacts of the Food Acquisition Program (PAA) on school performance in municipalities of Paraná. Revista de Ensino, Educação e Ciências Humanas, 20(4), 446–451.

Dutra, A. D. C. (2023). O Programa de Aquisição de Alimentos: contribuições à agricultura familiar e à segurança alimentar e nutricional no Rio Grande do Sul. Monografia de graduação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Grisa, C., Schmitt, C. J., Mattei, L. F., Maluf, R. S., & Leite, S. P. (2011). Contribuições do Programa de Aquisição de Alimentos para a segurança alimentar e nutricional e a criação de mercados para a agricultura familiar. Agriculturas, 8(3), 34–41.

Grisa, C., & Schneider, S. (2014). Três gerações de políticas públicas para a agricultura familiar e formas de interação entre sociedade e Estado no Brasil. Revista de Economia e Sociologia Rural, 52(Supl. 1), S125–S146.

Grisa, C. (2021). Políticas públicas, segurança alimentar e nutricional e sistemas alimentares sustentáveis: Convergências do Programa de Aquisição de Alimentos. Em C. M. Galanakis (Ed.), Segurança Alimentar e Nutricional (pp. 181–207). Academic Press.

Nunes, M. A., Balbino, T. F., & Ferreira, V. B. (2025). O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA): Duas décadas de contribuição estratégica no combate à fome e no fomento à agricultura familiar no Brasil. Revista Espinhaço, 15(1).

Perin, G., Almeida, A. F. C. S., Spínola, P. A. C., Pella, A. F. C., & Sambuichi, R. H. R. (2021). A evolução do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA): uma análise da sua trajetória de implementação, benefícios e desafios (Texto para Discussão No. 2691). Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Salgado, R. J. S. F., Souza, W. J., & Ferreira, M. A. M. (2024). Programa de Aquisição de Alimentos: Uma análise lógico-evaluativa da modalidade de aquisição institucional. Planejamento E Políticas Públicas, 67.

Sambuichi, R. H. R., Almeida, A. F. C. S., Perin, G., Spínola, P. A. C., & Pella, A. F. C. (2020). O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) como estratégia para enfrentar os desafios da COVID-19. Revista de Administração Pública, 54(4). 1079–1096.

Sambuichi, R. H. R., Paula, S. R., Perin, G., Almeida, A. F. C. S., Gualdani, C., & Marques, F. J. (2024). Compras públicas de alimentos e segurança alimentar: Uma avaliação dos impactos do PAA na agricultura familiar no Brasil. Desenvolvimento e Meio Ambiente, 63, 197-225.

Sambuichi, R. H. R., & Silva, S. P. (Eds.). (2023). Vinte anos de compras públicas da agricultura familiar: Um marco para as políticas públicas de desenvolvimento rural e segurança alimentar e nutricional no Brasil. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Silva, V. C., Barim, E. M., & Murta-Nascimento, C. (2025). Contribuições do Programa de Aquisição de Alimentos para o fortalecimento da agricultura familiar e da segurança alimentar e nutricional: Uma revisão integrativa. Physis: Revista de Saúde Coletiva, 35(1).

Soares, F. V., Nehring, R., Schwengber, R. B., Rodrigues, C. G., & Lambais, G. (2013). Demanda estruturada e pequenos agricultores no Brazil: o caso do PAA e do PNAE. Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG).

  • Reduzir a periodicidade do pagamento, para que o programa seja mais atraente para os fornecedores;
  • Estabelecer preços competitivos para a compra de alimentos, por meio de pesquisas locais;
  • Aumentar a diversidade de alimentos adquiridos, a fim de atender aos hábitos alimentares locais e à diversidade produtiva dos agricultores familiares;
  • Incluir públicos prioritários no programa por meio de regulamentações específicas;
  • Encontrar formas alternativas de pagamento para pessoas que não têm a documentação necessária;
  • Crie sistemas que não apenas permitam o gerenciamento do programa, mas também aumentem a transparência;
  • Estabelecer indicadores de monitoramento e avaliação.

ODS 1 - Erradicação da pobreza

  • Meta 1.1 - Até 2030, erradicar a pobreza extrema para todas as pessoas em todos os lugares, atualmente medida como pessoas que vivem com menos de $1,25 por dia.
    • Indicador 1.1.1 - Proporção da população que vive abaixo da linha internacional de pobreza por sexo, idade, situação de emprego e localização geográfica (urbana/rural)
  • Meta 1.2 - Até 2030, reduzir pelo menos pela metade a proporção de homens, mulheres e crianças de todas as idades que vivem na pobreza em todas as suas dimensões, de acordo com as definições nacionais.
    • Indicador 1.2.1 - Proporção da população que vive abaixo da linha de pobreza nacional, por sexo e idade
    • Indicador 1.2.2 - Proporção de homens, mulheres e crianças de todas as idades que vivem na pobreza em todas as suas dimensões, de acordo com as definições nacionais
  • Meta 1.3 - Implementar sistemas e medidas de proteção social adequados em nível nacional para todos, inclusive pisos, e até 2030 alcançar uma cobertura substancial dos pobres e vulneráveis.
    • Indicador 1.3.1 - Proporção da população coberta por pisos/sistemas de proteção social, por sexo, distinguindo crianças, pessoas desempregadas, idosos, pessoas com deficiência, mulheres grávidas, recém-nascidos, vítimas de acidentes de trabalho, pobres e vulneráveis


ODS 2 - Acabar com a fome

  • Meta 2.1 - Até 2030, acabar com a fome e garantir o acesso de todas as pessoas, em especial os pobres e as pessoas em situações vulneráveis, inclusive bebês, a alimentos seguros, nutritivos e suficientes durante todo o ano.
    • Indicador 2.1.1 - Prevalência de subnutrição
    • Indicador 2.1.2 - Prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave na população, com base na Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES)
  • Meta 2.2 - Até 2030, acabar com todas as formas de desnutrição, incluindo o cumprimento, até 2025, das metas acordadas internacionalmente sobre atraso no crescimento e emaciação em crianças com menos de 5 anos de idade, e atender às necessidades nutricionais de meninas adolescentes, mulheres grávidas e lactantes e idosos.
    • Indicador 2.2.1 - Prevalência de atraso no crescimento (altura para a idade <-2 desvios-padrão da mediana dos Padrões de Crescimento Infantil da Organização Mundial da Saúde (OMS)) entre crianças com menos de 5 anos de idade
    • Indicador 2.2.2 - Prevalência de desnutrição (peso para altura >+2 ou <-2 desvios-padrão da mediana dos Padrões de Crescimento Infantil da OMS) entre crianças com menos de 5 anos de idade, por tipo (emaciação e sobrepeso)
    • Indicador 2.2.3 - Prevalência de anemia em mulheres de 15 a 49 anos de idade, por estado de gravidez (porcentagem)


ODS 5 - Igualdade de gênero

  • Meta 5.a - Realizar reformas para dar às mulheres direitos iguais aos recursos econômicos, bem como acesso à propriedade e controle sobre a terra e outras formas de propriedade, serviços financeiros, herança e recursos naturais, de acordo com as leis nacionais
    • Indicador 5.a.1 - (a) Proporção da população agrícola total com propriedade ou direitos seguros sobre terras agrícolas, por sexo; e (b) proporção de mulheres entre os proprietários ou detentores de direitos de terras agrícolas, por tipo de posse
    • Indicador 5.a.2 - Proporção de países em que a estrutura jurídica (incluindo o direito consuetudinário) garante às mulheres direitos iguais à propriedade e/ou controle da terra


ODS 10 - Redução das desigualdades

  • Meta 10.1 - Até 2030, alcançar e sustentar progressivamente o crescimento da renda dos 40% mais pobres da população a uma taxa maior do que a média nacional
    • Indicador 10.1.1 - Taxas de crescimento das despesas domésticas ou da renda per capita entre os 40% mais pobres da população e a população total
  • Meta 10.2 - Até 2030, capacitar e promover a inclusão social, econômica e política de todos, independentemente de idade, sexo, deficiência, raça, etnia, origem, religião, condição econômica ou outra
    • Indicador 10.2.1 - Proporção de pessoas que vivem abaixo de 50% da renda média, por sexo, idade e pessoas com deficiência


ODS 12 - Consumo e produção responsáveis

  • Meta 12.3 - Até 2030, reduzir pela metade o desperdício global de alimentos per capita nos níveis do varejo e do consumidor e reduzir as perdas de alimentos ao longo da produção e das cadeias de suprimentos, incluindo as perdas pós-colheita
    • Indicador 12.3.1 - (a) Índice de perda de alimentos e (b) índice de desperdício de alimentos

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